quarta-feira, abril 04, 2012

Assuma o controle

Ouvi uma pessoa dizer que anda com essências dentro da bolsa, porque, se não escolher o aroma que quer sentir, outro o fará. Engraçado, não é? Porém sábio. Se não decidirmos, alguém decidirá por nós. Algumas pessoas decidem que devemos ouvir funk na rua (particularmente odeio esse tipo de som que nem chamo de música) e colocam o volume no máximo. Irritante isso.

A vida é assim: ou tomamos nossas próprias decisões ou decidirão por nós. Ou nos tornamos agentes da nossa própria história ou, mais cedo ou mais tarde, vamos nos lamentar.

Querem dizer o que você deve comer, que marcas usar, como gastar o seu dinheiro, o que é in e o que é out, como se as pessoas fossem todas iguais, gostassem das mesmas coisas, vestissem o mesmo número, falassem a mesma língua. Querem nos colocar numa forminha, transformando todos no mesmo molde. Preste atenção na quantidade de outdoors e placas ao longo do caminho. Querem decidir até mesmo em que você deve pensar.

Nossos pensamentos são extremamente poderosos. Por isso a Bíblia trata do assunto: Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra (Cl 3.2). Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai (Fl 4.8).

Parece ser fácil escolher em que pensar, mas a minha experiência tem me mostrado que preciso chamar a minha mente de volta mil vezes, porque ela quer voar todo tempo. E este post é exatamente para contar como estou disciplinando meus pensamentos.

Entendi há muito a importância dos pensamentos e o poder da meditação. O Salmo 1 chama de bem-aventurado, ou seja, mais do que feliz aquele que medita: Bem-aventurado o homem que tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite (Sl 1.2). Quero que preste atenção no verbo: medita. Não é apenas pensa, mas medita.

Timóteo era um jovem discípulo de Paulo que enfrentava grande oposição. Paulo deu a ele uma série de conselhos e encerrou assim: Medita nestas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos (I Tm 4:15). Não basta ouvir os conselhos, não basta decorar. Medite neles e todos verão que você progrediu.

Repito: minha mente gosta de voar. Por mais que tentasse meditar, quando me dava conta, estava com o pensamento longe, longe. Então resolvi tomar algumas atitudes e até compartilhei isso com o meu marido. Assim como o mundo quer me bombardear com propagandas e informações, eu decidi “bombardear” a minha mente com a Palavra de Deus. Sabe como tenho conseguido? Mudando muita coisa à minha volta.

Ando sempre com um livro na bolsa. Se eu estiver numa fila, abro e leio. Se eu tiver que esperar o Ricardo ou meus filhos em qualquer lugar, pode apostar que estarei lendo alguma coisa. Aí você vai me dizer: ler não é meditar. Verdade. Calma aí. Além dos livros, dentro deles coloco papéis com versículos que decidi decorar. Então minha meditação é assim: escolho textos que dizem respeito à realidade que estou vivendo ou quero viver, decoro e medito, repito e medito, oro esses versículos e medito... O verso da vez é este aqui: Amados, se o nosso coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos dEle recebemos, porque guardamos os Seus mandamentos e fazemos perante dEle aquilo que Lhe é agradável (I Jo 3:21,22).

É incrível que, enquanto medito em um texto, o Espírito Santo começa a trazer ao meu coração outros textos correlatos e um assunto vai complementando o outro e eu vou crescendo. Você pode dizer: “Ah, isso acontece com você porque frequentou a escola dominical desde pequena e aprendeu muita coisa”. Errado. Se você crê que a Bíblia é a verdade, terá que acreditar neste texto aqui: Porei no seu coração as minhas leis e na sua mente as inscreverei (Hb 10:16). Espero que, como Paulo disse a Timóteo, o meu progresso a todos seja manifesto, principalmente aos lá de casa.

Devemos fazer da meditação na Palavra um hábito. Josué disse ao povo de Deus: Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido (Js 1.8). Preste atenção: ele está mandando falar e meditar. Fale o versículo e medite nele. Uma vez, duas, três? De dia e de noite, de dia e de noite, de dia e de noite.

Antes de terminar, quero apenas contar para você como é que o salmista vencia as oposições sem se distanciar de Deus. Ele disse, no Salmo 119:23: Príncipes também se assentaram, e falaram contra mim, mas o teu servo meditou nos teus estatutos. Enquanto os inimigos falavam dele, ele não falava dos inimigos, pensava nos inimigos, planejava vingança, mas meditava nos estatutos do Senhor. Nem preciso dizer que venceu, não é?

Discipline-se. Ou você escolhe em que pensar ou decidirão por você. Se os outros o decidirem, não se espante quando alguém o chamar de... Você sabe, não é?

terça-feira, abril 03, 2012

Pense bem, viva bem.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios (Sl 103.2).

Amo esse Salmo. Para mim, ele é um remédio. Quando as coisas apertam, quando a enfermidade quer chegar, eu o tomo em muitas doses. Sei grande parte dele de cor, então fico repetindo, repetindo, repetindo. Digo ao mundo espiritual: É Ele quem sara todas, não algumas, todas as nossas enfermidades. Tenho certeza de que já houve motorista pensando que havia uma louca no carro ao lado, por estar eu falando “sozinha”. Mas eu sei bem que não é sozinha. Ouvir a palavra gera fé: De sorte que a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus (Rm 10.17). Então eu falo para mim mesma a palavra de Deus. Cri, por isso falei (II Co 4.13). E o que pode fazer a fé? Absolutamente tudo. Tudo é possível ao que crê (Mc 9.23).

Não vou escrever sobre todo o salmo. Quero falar sobre aquilo que o salmista decidiu fazer sua alma lembrar: os benefícios do Senhor.

Lidar com a nossa mente não é tarefa simples. Acho que o salmista era tão louco quanto eu. Por isso disse a si mesmo – dessa vez está falando com ele mesmo e não com o mundo espiritual ­–: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor”. Em minhas palavras: “Euzinha, Keilinha, fale bem do Senhor”. Há muitos assuntos sobre os quais falar, mas é preciso ter em mente que palavras criam sentimentos. Comece a falar sobre coisas boas e se sentirá bem. Comece a falar sobre problemas e seu dia ficará nublado.

Deixemos a fila andar. Ainda não cheguei onde quero. O assunto sobre o qual o salmista quer que seu eu fale são os benefícios feitos pelo Senhor. Aqui vem uma sentença interessante: “Não te esqueças”.

É muito fácil se esquecer daquilo que é bom. Tente lembrar-se dos últimos presentes que recebeu. É fácil? Se conseguiu, então se lembre do texto da mensagem do último culto a que compareceu. Ainda é fácil? Está bem: lembre-se dos elogios feitos por seu cônjuge a você na data do seu aniversário.

Não venha me dizer que é fácil se lembrar de coisas boas, porque não é. Basta o primeiro problema para a nossa mente ficar recheada de pensamentos negativos. Quando enfrentamos situações ruins, a ordem é o contrário: “Alma, esqueça os problemas, a maldade de que foi vítima, a crítica injusta, a traição desumana”... Puxa, não deveria ser assim. Quem dera esquecêssemos com facilidade aquilo que nos fez sofrer e nos lembrássemos sempre das atitudes de bondade dos outros para conosco!

Jesus falou a respeito: O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a boca fala do que está cheio o coração (Lc 6.45). Quer dizer, no nosso coração estão sendo depositadas muitas coisas, muitas memórias. Se boas ou ruins, depende de cada um.

Jeremias foi um dos profetas que mais sofreram. Ficou preso num poço durante bastante tempo, foi rejeitado pelo povo, ninguém quis ouvir suas profecias, mas escolheu não viver se queixando, por isso declarou: Quero trazer à memória aquilo que me dá esperança (Lm 3.21).

Nós também podemos escolher deixar as lamúrias de lado, enterrar as experiências negativas. Como diz o sábio Mike Murdock: “Não comente aquilo que você não quer que seja lembrado”. Não faz nada bem rememorar aquilo que faz sofrer.


Se for preciso, fale sério com a sua alma, ordene mesmo: Alma querida, boca santa, coração amoroso, não se esqueçam de nenhum dos benefícios do Senhor.

segunda-feira, abril 02, 2012

Sentença: Absolvido

Não sei que tipo de pensamento vem à sua mente quando o assunto é Deus. Sei que, durante algum tempo, a imagem que me vinha era de um velhinho de cabelos e barba longos e brancos e uma feição bastante brava. Não sei dizer de onde vem isso, já que fui criada num lar onde a Bíblia era lei. Também não posso culpar os pastores que tinha, grandes homens de Deus que me transmitiram uma fé sólida, firme, real e racional. E não me lembro de meus pais fazerem qualquer referência a esse respeito.


Talvez você tenha o mesmo questionamento: por que pensamos num Deus mau, bravo, que parece sempre pronto a nos punir? Cuidarás para que eu não erre, em vez de ficares espiando para me veres pecar. Esquecerás os meus pecados e apagarás os meus erros (Jó 14.16).
Deus define a Si mesmo em Sua Palavra como: Deus é amor (I Jo 4.8). E foi às últimas consequências para demonstrar esse amor: enviou o Seu único Filho para mudar o nosso status: de escravo do pecado para filho da luz, de servo para filho amado. Quanta doçura deixar de ser Filho unigênito para ser Filho primogênito, ou seja, de único para primeiro! É demais, não é?


Jesus disse algumas vezes que não veio para nos condenar, não veio para julgar o mundo: Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10.10). Por que então nos sentimos tão pecadores, tão inadequados, nada merecedores desse amor tão grande? Aliás, por que simplesmente não aceitamos que a salvação de que precisamos – e não estou falando apenas daquela que nos levará ao céu, mas de sermos salvos de perigos, de escassez, da maldade, principalmente daquilo que nos afasta de Deus – é totalmente gratuita? Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus (Ef 2.8).


Jesus veio para nos absolver, para pagar o preço de uma dívida que nós fizemos, e não Ele. Então, errar o alvo, definição bíblica de pecado, é uma exceção na vida daqueles que têm o Espírito Santo vivendo dentro de si e não uma regra. Ainda assim, sabe o que acontece se pecarmos? Não há surra nos esperando, não há um Deus chateado, não há palmatória: Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo (I Jo 2.1). Quer dizer, antes do crime, o Advogado já está preparado para nos absolver, afinal, já vi grandes advogados livrando criminosos de ações hediondas! Imagine do que o nosso Advogado é capaz de nos livrar!!!


Por que, então, nos sentimos tão mal em relação a Deus muitas vezes? Se Ele não nos acusa, quem nos acusa? A resposta: Sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas (I Jo 3.20). O problema somos nós. Nós nos condenamos. Queremos pagar o preço de um sacrifício impagável para nos tornarmos merecedores de uma graça oferecida gratuitamente a quem jamais a ela faria jus. É só receber. Simples assim: só receber.


Não sei por que ficamos tão incomodados quando recebemos um presente caro demais? Por que não aceitamos com gratidão e só? Por que tecemos tantos comentários, pensamos em devolver ou perguntamos o que o donatário pode estar desejando com tal mimo? Homens podem até ser assim: fazerem coisas para obter favor. Mas Deus não é homem (Dt. 23.19).
Não permita que o seu coração o condene. O preço por todos os nossos erros já foi pago. Resta-nos agora andar em liberdade. Como diz o texto acima, ainda que o nosso coração nos condene, Deus é maior e nos absolve.


Não posso terminar esse post sem contar o fim desse versículo. Aqui vai: Amados, se o nosso coração não nos condena, temos confiança para com Deus; e qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista (I Jo 3:21-22). Traduzindo: quando não aceitamos condenação, podemos nos achegar a Deus com confiança - somos filhos amados. E filhos não têm cerimônias diante de seus pais. São autênticos, livres, folgados, às vezes. E se, como filhos, fazemos pedidos, é só esperar para receber, porque filhos obedientes (os que guardam Seus mandamentos) e que agradam os pais (fazem o que é agradável à Sua vista) sempre se dão muito bem.


Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que Lhe pedirem (Mt.7.11)?


Livre-se da culpa. Seu Advogado é Poderoso!!!

quarta-feira, março 28, 2012

Tire a pedra do caminho

Hoje compartilho com você um pouquinho da minha meditação no livro de II Timóteo.


No meio do caminho havia uma pedra. Aqui no Brasil é muito fácil dizer isso. Como há pedras no meio do caminho!


Algumas pedras são enormes. Diante delas, só duas opções: parar a viagem ou contorná-las, o que pode demorar bastante. Pense numa pedra monumental e em você com muita pressa para chegar ao outro lado. Que chateação ter que mudar o caminho, contornar um grande obstáculo.


Às vezes, fazemo-lo calados. Outras vezes, começamos a reclamar, exigindo saber quem foi que colocou aquilo ali. Com respostas ou sem respostas, será necessário tomar uma atitude.


Algumas pedras são médias. Dá para transpô-las com um simples pulo – grande ou pequeno, mas totalmente possível. São obstáculos que incomodam, mas um pouco menos. E também não nos fazem pensar em parar. Apenas nos obrigam a certo esforço.


Algumas pedras são pequenas. Diante dessas, basta firmar o pé e passar por cima. Fazemo-lo até sem pensar. Já estamos acostumados com essas pedras do dia a dia. Fazem parte do trajeto. Seguimos em frente sem tomar conhecimento de que estão ali. Talvez tenham estado sempre, talvez amanhã sejam removidas. Não importa. São insignificantes.


Timóteo estava diante de algumas pedras e tinha algumas coisas em seu desfavor. Era jovem, ainda não tinha adquirido tanto conhecimento e respeito. E quando se viu diante dessas pedras tremeu. Paulo, seu mestre, deu a ele um conselho que serve para mim e para você na nossa caminhada: Por este motivo [porque sei da fé que existe em ti], te lembro que reavives o dom de Deus, que existe em ti pela imposição das minhas mãos. Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de poder, e de amor, e de moderação (II Tm 1.6,7).


A primeira constatação que fiz nesse texto é que somos nós que temos que despertar os nossos dons, as nossas vocações. Paulo poderia ter dito: “Venha me visitar para que eu o ajude a despertar o seu dom”, mas não foi o que disse. Aconselhou: “Reavives”. Em outra tradução está escrito: desperte. O dom não morreu, a sua competência não acabou, você não se tornou sem utilidade. Desperte, acorde o dom.


No versículo seguinte, ele mostra o que fez Timóteo não ser tão eficaz: o espírito de temor, o medo. Talvez você, como eu, já tenha sentido medo de a pedra rolar por cima de você e esmagá-lo, ou de dar um pulo tão grande que o machuque, ou de nem ser capaz de dar o salto necessário para transpor aquele obstáculo. De acordo com Paulo, o problema não é a pedra; é o medo. Você já viu aquelas pessoas que fazem salto com varas? Como voam alto! Não são pessoas diferentes de mim e de você. Apenas enfrentam o obstáculo com vontade de vencê-lo e insistem. Se for preciso, saltam mil vezes em um dia. Pode ser necessário enfrentar a mesma pedra muitas vezes.


O texto poderia parar por aqui. Ótimo: reavive o dom de Deus livrando-se do medo. Parece fácil, não é? Pois é mesmo, porque Paulo conta como é que se livra do medo. Quer saber como vencê-lo? Vamos continuar.


Primeiro, apenas lembre-se do que Deus lhe deu: Espírito de poder. Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo (At 1.8). Se você tem o Espírito de Deus, você é poderoso. Isso mesmo! Você já recebeu poder. Está aí dentro. Use-o. Detone as pedras, porque você pode.


Segundo, cresça em amor – é o que está escrito lá em cima: Deus nos deu espírito de amor. Como crescer em amor? Qualquer que guarda a Sua Palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus (I Jo 2.5). Cada vez que você medita na Palavra, o amor de Deus está aumentando em você e é esse amor que o fará lançar fora o medo: O verdadeiro amor lança fora todo medo (I Jo 4.18).


Por último, vem a palavrinha difícil: moderação. Essa me deu mais trabalho para compreender. Não vou esmiuçar meus estudos, mas apenas informar que, depois de ler a respeito, descobri que moderação quer dizer: razoabilidade, bom senso, disposição para abrir mão dos seus direitos. Não argumente com as pedras, não tente provar que está certo, não busque ter razão. Outro dia li uma frase maravilhosa que reproduzo com minhas palavras: “Não se justifique, pois os que gostam de você não precisam disso e os que não gostam não acreditarão em você”. É isso aí.


Siga em frente. Reavive o dom de Deus. Role a pedra.

quarta-feira, março 21, 2012

Tire suas próprias conclusões

Quanto mais conheço a Deus, mais me apaixono por Ele. Embora saiba tudo, conheça os pensamentos e propósitos do coração e possa facilmente manipular qualquer pessoa, escolheu não fazê-lo. Respeita-nos mais do que nós mesmos. Aceita nossas decisões, não tenta mudar-nos à força. É um gentleman no sentido mais elevado que essa palavra possa ter, aliás, é um gentlegod.

Ontem estava voltando do trabalho pelas ruas dessa Brasília mudada, que agora é puro congestionamento – e quando chove, então! – quando resolvi tomar o remédio que uso para não estressar: ter sempre um bom CD ao alcance. Enquanto o mundo pira, pareço uma louca cantando, dançando, orando, chorando dentro do carro. Peguei um CD de mensagem da Pastora Edméia Williams – aliás, recomendo – e comecei a ouvir. Ela pregava sobre o texto que posto aqui abaixo.

E chegaram as filhas de Zelofeade, filho de Hefer (...) e estes são os nomes delas: Maalá, Noa, Hogla, Milca, e Tirza; e apresentaram-se diante de Moisés, e diante de Eleazar, o sacerdote, e diante dos príncipes e de toda a congregação, à porta da tenda da congregação, dizendo: Nosso pai morreu no deserto, e não estava entre os que se congregaram contra o Senhor no grupo de Coré; mas morreu no seu próprio pecado, e não teve filhos. Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, porquanto não teve filhos? Dá-nos possessão entre os irmãos de nosso pai. E Moisés levou a causa delas perante o Senhor. E falou o Senhor a Moisés, dizendo: As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas (Nm 27.1-7).

Logo que ouvi a leitura, comecei a viajar, pensando na grandeza dos personagens descritos na história. Já disse e repito: não é à-toa que se registram histórias na Bíblia. Há ensinamentos muito profundos que precisam ser absorvidos. É preciso meditar, ler, reler e reler para absorver parte do conteúdo. E por que digo parte? Porque A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4.12). Não se esgota nunca.

Essa história tem muito a ensinar. Começo pela lição deixada pelas filhas de Zelofeade. Elas faziam parte de um tempo e de uma cultura em que mulher não tinha vez. Seu pai havia morrido e elas estavam, como ficava toda herdeira sem irmãos, na rua da amargura. Poderiam ter se resignado com sua triste sorte, mas resolveram pelo menos tentar algo diferente. Não tiveram medo de enfrentar a autoridade, de ouvir um “não”, da opinião alheia. Aliás, se fossem perguntar aos outros o que achavam, provavelmente teriam ouvido os conformados dizerem o mesmo que Gabriela: “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim”, ou seja: desistam.

Mais ainda. Hoje em dia, é muito fácil ser rotulado de rebelde. Os inovadores, os inconformados, os revolucionários costumam ser tachados de insubmissos, revoltosos, subversivos. Ai do mundo sem os inovadores, sem os questionadores, sem os inconformados! Por causa dessa submissão burra, as mulheres árabes estão como estão.

Além da coragem de enfrentar o grande líder Moisés, elas foram extremamente polidas no pedido. Não chegaram reclamando, não estavam nervosas, usaram o argumento certo. Às vezes, os pedidos são rejeitados pelo simples fato de que são feitos do jeito errado.

O segundo personagem também digno de admiração é Moisés. Tratava-se de uma questão antiga. Há muito que somente os filhos herdavam. Por que mudar algo que já se praticava há anos, que já estava enraizado na cultura? E mais. Ele tinha acabado de distribuir as terras conquistadas. Dizer que as mulheres poderiam herdar significava um grande trabalho de redistribuição. Era um novo começo para quem estava quase no fim. Mesmo assim, sabe o que ele fez? Levou a causa perante o Senhor. Como assim? Não era uma questão antiga? Pois é. A tradição não contou. Moisés foi perguntar ao Senhor.

Lembro-me do conselho que Paulo deu a Timóteo na sua primeira epístola: Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões (I Tm 2.1). Repito: antes de tudo, tudo mesmo, ore. São poucos os líderes que ousam admitir que não sabem tudo, não têm todas as respostas, não são o supra-sumo do conhecimento. Muitos nem admitiriam tal consulta. Moisés também tinha líderes abaixo dele que o ajudavam. A Bíblia fala que ele levantou líderes de mil, de cem, de cinquenta. Mas ele foi acessível. Não encaminhou as mulheres à liderança inferior e nem deu a questão por encerrada com base no que sempre aconteceu. Atendeu e foi humilde para dizer que, antes de responder o que parecia ser óbvio, antes de repetir o que poderia ter sido dito outras inúmeras vezes, consultaria o Senhor.

Por fim, vem o Maior de todos, o Autor da própria história: Deus. Como Ele é admirável! Há anos, via uma grande injustiça ser cometida contra as mulheres, mas não estava disposto a se intrometer em questões alheias. Já que não O chamaram para a conversa, ficou quieto, gentil e pacientemente esperando que fosse convidado a Se pronunciar. E surpreendeu: As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas (Nm 27.1-7). Se você continuar a leitura do capítulo, verá que Ele disciplinou toda a linha sucessória. O que juristas passam anos discutindo estava escrito lá, há muito, muito tempo.

Até comecei a digitar aqui as lições que tirei de tudo aí, mas deletei. Prefiro deixar que você tire suas próprias conclusões.

Beijo.