segunda-feira, janeiro 16, 2012

Meditando no Salmo 23

Enquanto estava em viagem, acordava cedo para meditar um pouco. Quando não começo o dia conversando com Deus, as coisas não fluem bem. Meu interior fica agitado. As pessoas continuam as mesmas, mas eu não. Às vezes, até as trato mal. É como se eu não acordasse bem ou mais do que isso: estou despreparada para o dia.


Num desses dias, li uma versão diferente do Salmo 23 e resolvi meditar e orar com base nesse texto. Está aqui. O que vale para mim vale para você. Que Deus o abençoe sempre!!!

O Senhor é o meu pastor: nada me faltará.


Eu sou uma ovelha e como tal devo me comportar. A ovelha simplesmente segue, se deixa guiar, se deixa ser protegida, alimentada, guardada. E o bom Pastor não deixará que nada falte a ela. Precisa de um lugar seguro? Vai guiá-la até lá. Precisa de água? Vai buscar para ela? Está ferida? Vai cuidar dela. Nada faltará à ovelha que confiar no Pastor e se mantiver sob o Seu cuidado.


Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranquilas.


Essa parte do texto é interessante. Primeiro ele dá descanso e depois a faz caminhar até um bom lugar. Isso tem tudo a ver com o que estou vivendo. Começo de ano e eu no descanso, sendo alimentada por esse Pastor. Antes das ordens, antes dos afazeres, antes dos desafios, antes das urgências da vida, o Senhor nos convida a descansar. Lembra do texto de Mateus: "Vinde a mim todos vós, que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". O Pastor tira o peso e, depois do descanso, nos convida a caminhar até as águas tranquilas. Aqui, em frente à obra que mais admiro em toda criação, o mar, penso nessas maravilhosas águas tranquilas.


O Senhor renova as minhas forças e me guia por caminhos certos, como ele mesmo prometeu.


Deus me alimenta e me ajuda a me recuperar dos embates da vida. Espera até eu estar suficientemente forte para continuar a caminhada e só então retoma a estrada comigo, me levando pelo caminho mais agradável, mais reto, mais curto. Não preciso me preocupar com o caminho, apenas segui-lO.


Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo; tu me proteges e me diriges.


Chega uma hora o caminho começa a ficar estranho. Parece escuro, parece sombrio, parece apertado, parece perigoso. Mas não preciso temer. Ele fará o que for preciso para que eu consiga atravessá-lo. Se for preciso, usará a sua vara como um "estímulo" para que eu continue a caminhada. De uma coisa posso estar certa: vou completar a carreira e chegar aonde Ele quer.

Preparas um banquete para mim, onde os meus inimigos me podem ver. Tu me recebes como convidado de honra. E enches o meu copo até derramar.


Então nesse caminho, mais cedo ou mais tarde, vou me encontrar com os lobos, que querem me matar, que desejam para mim uma morte dolorosa e violenta e, de preferência, pelas mãos deles próprios. E eu posso ver o Pastor preparando uma grande ceia e convidando o meu inimigo para dela participar. Todos eles veem como Ele me coloca no melhor lugar, me serve primeiro, me honra na frente de todos. O que eles podem fazer? Ranger os dentes, morrer de ódio e mais nada. Estou segura.


Certamente a tua bondade e o teu amor ficarão comigo enquanto eu viver.


Não haverá como me afastar da Sua bondade, do Seu amor e da Sua misericórdia, porque me seguem. Onde eu for, lá estarão. Não me deixam, não me esquecem, não precisam ser solicitadas. Estão lá de manhã, de tarde, de noite. Como disse Davi: "Tu me cercas com a tua bondade". Graças a Deus estou cercada!

E na tua casa, ó Senhor, morarei todos os dias da minha vida.

Tenho um acesso contínuo. Posso recorrer ao Senhor todo dia, toda hora, todo segundo. Nunca serei "madura" o suficiente para ter que procurar meu próprio espaço. Ele me quer na sua casa não apenas até completar os dezoito anos ou me casar. Tenho um lugar junto a Ele para sempre.


Demaaaais esse Salmo, hein?

domingo, janeiro 15, 2012

Pegue a beirinha

Continuo interessada em estudar a vida dos personagens bíblicos. Tento me ver neles, aprender com eles, pergunto a mim mesma: o que será que estavam pensando? Como se sentiram? Por que tomaram tal e tal atitude? E a pergunta que nunca cala: por que foram citados na Bíblia?

Creio firmemente que a Bíblia é a Palavra de Deus, o manual para quem deseja viver "bem" nesta terra de modo a alcançar o céu. Na verdade, me apaixonei por ela. Leio sempre, leio muito, decoro, repito em voz alta, espalho versículos por toda parte.

Vou contar a você agora o que aprendi com Ló.

O livro de Gênesis descreve em muitos capítulos a história de Abraão, homem de fé, chamado de amigo de Deus. Ló está inserido nesses capítulos. Parece até um deslize, como se Deus quisesse falar apenas de Abraão, mas teve que inserir Ló. E como é que ele surge? Como um agregado de Abraão, um parente que se deu bem por ser amado por seu tio. "Abrão tinha setenta e cinco anos quando partiu de Harã, como o Senhor havia ordenado. E Ló foi com ele" (Gn 12:4).

Deus falava com Abraão, tinha promessas para Abraão, mas, como Ló estava junto, pegou a beirinha. Sabe o que é beirinha? É um privilégio de quem está perto de alguém que tem algo a oferecer. Tenho certeza de que você já ouviu piadinhas a respeito, por isso não vou repetir aqui.

Enquanto estava perto de Abraão, Ló se deu muito bem. Suas posses cresceram a ponto de não poderem ficar juntos - "Não havia pastos que dessem para os dois ficarem juntos, pois eles tinham muitos animais" (Gn 13:6). Os empregados de ambos começaram a brigar e a riqueza, em vez de ser motivo de alegria, passou a ser motivo de conflito. Melhor separar.

É nesse ponto da história que o coração de Ló começa a ser revelado. Abraão diz a ele que precisavam se separar e pede a ele que escolha aonde ir. Ele escolhe o "melhor" lugar - "Ló olhou em volta e viu que o vale do Jordão, até chegar à cidade de Zoar, tinha bastante água. Era como o Jardim do Senhor ou como a terra do Egito. O vale era assim antes de o Senhor haver destruído as cidades de Sodoma e de Gomorra" (Gn 13:10). De um lado, deserto; de outro, uma campina maravilhosa. Ló decide: que Abraão fique no deserto. Ele se esqueceu de que o justo, quando passa por um vale árido, faz dele um manancial. A pessoa faz o lugar. Onde o justo está o lugar é abençoado.

Bom, continuemos. Ló começa no vale e termina dentro de uma cidade podre, onde ele todos os dias afligia a sua alma. Olhe só o que Pedro disse a respeito: "E Deus livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, pelo que via e ouvia sobre as suas obras injustas)" (II Pe 2:7,8).

Enquanto andava com um homem abençoado, estava bem e muito rico. Quando se afastou do homem abençoado, seus bens diminuíram a ponto de, quando o Senhor decidiu destruir Sodoma e Gomorra, ele estar morando dentro da cidade. Onde foram parar os bens que de tantos o impediram de continuar perto de seu tio abençoado? Por que ele não voltou para perto do seu tio?

No meio dessa história toda ainda acontece de um dia a cidade ser invadida, ele ser levado como escravo, perder todos os bens e Abraão reunir um exército de 318 pessoas e salvar a ele e tudo o que tinha. Derrota após derrota e nada dele voltar para perto da bênção.

Como termina essa história? De um jeito muito triste: pobre, viúvo e com as duas filhas grávidas do próprio pai. E sabe por que ele não morreu na destruição de Sodoma? Olha só a resposta: "Foi assim que Deus destruiu as cidades do vale. Mas ele pensou em Abraão e fez com que Ló escapasse da destruição das cidades onde havia morado" (Gên 19:29). Não fosse por seu tio, tadinho dele. Escapou porque Deus pensou em Abraão.

Moral da história: jamais se afaste das pessoas abençoadas que Deus colocou na sua vida. Descubra quem são. Não permita que se afastem de você. Honre-as, ame-as, invista nelas, fique perto. Se você ficar junto, poderá pegar a beirinha da bênção que está sobre elas.

Bom finalzinho de domingo para você. Hora de encontrar com meus amigos abençoados da igreja. Também quero uma beirinha.

sábado, janeiro 14, 2012

Pode gastar. A herança é sua.

Dos patriarcas o mais famoso é Abraão. O judeu dá muito valor em carregar o título filho de Abraão e fazia questão de dizer que as demais pessoas não tinham direito a esse nome. Eles se diziam: filhos de Abraão, Isaque e Jacó e chamavam ao Senhor de Deus de Abraão, Isaque e Jacó, tal a importância que davam a esse antepassado. Mas Paulo traz uma nova revelação acerca do patriarca, descortinando o significado espiritual de sua vida. Conforme ele ensina, filhos de Abraão não são os nascidos do sangue, mas os nascidos da fé: "Portanto, vocês devem saber que os verdadeiros descendentes de Abraão são os que têm fé" (Gl 3:7).

Quem herda de Abraão o nome herda também tudo o que ele veio a ter, as riquezas materiais e principalmente as promessas. O material foi passando de pai para filho - Isaque, Jacó, as doze tribos de Israel... - o espiritual chegou até a mim e será repassado às minhas gerações, por isso é muito bom estudar o testamento, saber o que eu recebi.

Para ser herdeiro é necessário obedecer às condições do testador e estar unido a ele por algum vínculo legal. O vínculo já expliquei acima, agora quero falar das condições para ter direito à promessa.

Gênesis 17 é um capítulo que precisa ser estudado minuciosamente, pois ele fala de uma aparição de Deus ao Pai da fé. Nele o Senhor faz a promessa e fala das condições para alcançá-la. Como herdeiros, basta a nós satisfazermos a condição e poderemos tomar posse de toda a herança. E qual é a condição? "Quando Abrão tinha noventa e nove anos, o Senhor Deus apareceu a ele e disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso. Viva uma vida de comunhão comigo e seja obediente a mim em tudo" (Gn 17:1).

Já falei no blog sobre um aspecto da fidelidade de Deus que é o seu envolvimento em tudo o que nos propõe. Quando Ele nos manda fazer algo, se envolve diretamente nisso. De uma forma bem simplória é assim: "Júlia, arrume a cozinha e eu estou aqui com você e começarei por lavar os pratos". Aquilo que Deus nos manda fazer Ele faz conosco. Quando nos manda ir a algum lugar não fica olhando para ver se acertaremos o rumo. Simplesmente vai à nossa frente e nos guia até lá.

Quando Ele diz: "Viva uma vida de comunhão comigo e seja obediente a mim em tudo", providencia os meios de tornar isso possível. Primeiro, coloca a Si mesmo disponível. Só posso ter comunhão com quem quer ter comunhão comigo. E Ele quer ter comunhão comigo, por isso diz: "Clama a mim e responder-te-ei" (Jr 33.3); “Não tenha medo, pois eu o salvarei; eu o chamei pelo seu nome, e você é meu. Quando você atravessar águas profundas, eu estarei ao seu lado, e você não se afogará. Quando passar pelo meio do fogo, as chamas não o queimarão" (Is 43:1, 2); "Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós" (Ti 4.8). Deus nos ama, quer se relacionar conosco, está disponível todo tempo. Viver uma vida de comunhão com Ele depende de nós e não dEle.

Em segundo lugar, a garantia de receber a herança está na obediência: "Seja obediente a mim em tudo". É difícil ser obediente? Se Ele estiver fora do processo não é difícil, é impossível : "O bem que eu quero fazer eu não faço, mas o mal que eu não quero fazer, esse faço" (Rm 7.19). Mas com Ele no processo é assim: "Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir e sob as minhas vistas te darei conselhos" (Sl 32.8).

Tenho muito a dizer, mas não posso continuar. Leia o restante do capítulo de Gênesis 17. Sublinhe, arranque a página e cole em algum lugar, imprima, estude, porque a promessa que está lá é sua, dos seus filhos, dos seus netos. Leia a história de Abraão como sendo a sua, porque tudo o que Deus prometeu a ele você pode herdar e começar a usufruir agora mesmo.

Alegre-se porque você tem uma herança incalculável!

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Peça ajuda

Agora estou lendo a Bíblia em ordem cronológica e uma das primeiras grandes personagens é Jó. Livrinho difícil de entender, mas gostoso de ler. Um homem é citado por Deus como alguém que O teme, é honesto, justo, mas enfrenta uma disputa cósmica: Deus contra o diabo. Complicado, complicado.

Vou direto ao assunto. Fiquei revoltada com a história. Quando desliguei meu computador e fui tomar banho estava brava, muito brava com Deus. Então comecei a fazer muitas perguntas: por que o Senhor fez isso com Jó? Por que o Senhor respondeu tão vagamente as perguntas feitas por ele? Por que demorou tanto para socorrê-lo?

Muita gente não tem noção do poder da oração. Muitos não se dão conta de que Deus quer se revelar, quer que O conheçamos, que nos aproximemos. Ele diz: Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós (Ti 4.8). Você começa e Ele dá continuidade. Você se achega um pouquinho e Ele vem um pouquinho, mais perto, mais perto. Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade. Ele cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor e os salvará (Sl 145:18, 19). Quando fazemos perguntas a Deus, basta esperar. Ele promete responder. E eu resolvi saber o que aconteceu com Jó, o porquê de tudo. Se Deus escreveu a história para que eu lesse, por certo gostaria de me explicar o que de fato estava em jogo. E como Deus responde as orações, me contou a história. 

Em meio ao meu banho, ouvi um sussurro baixinho, que mais parecia uma ideia brilhante, dizendo: "Jó não me pediu ajuda. Ele resolveu apenas reclamar". Eu pensei: não, não pode ser. Vou ter que recomeçar a leitura. Recomecei e decidi marcar, ler devagar, procurando descobrir se foi assim mesmo e fiquei surpresa. 

Jó era um homem que procurava jamais ofender a Deus. Oferecia sacrifícios por si mesmo e pelos filhos, buscando aprovação, mas não um relacionamento. Era como aquelas histórias gregas em que as pessoas procuravam aplacar a ira dos deuses e por isso faziam muitas coisas, ofereciam muitos sacrifícios. O relacionamento de Jó com Deus era muito distante. É claro que isso não tem nada a ver com tudo o que aconteceu com ele. Por que Deus permitiu que ele sofresse tanto eu não cheguei a saber. Os seguidores de Jesus quiseram saber o mesmo em certa ocasião e a resposta foi esta aqui: E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus (João 9:1-3). Se você consegue traduzir essa resposta de Jesus, me ensina aí.

Bom, se não podemos descobrir todos os porquês, a Bíblia ensina que podemos nos livrar da dor ou pelo menos amenizá-la e que todo sofrimento, no fim, resultará em grande aprendizado e terá um fim muito proveitoso. Depois de tudo, Jó o resumiu assim: Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos (Jó 42:5). Jó sofreu, se lamentou, chamou Deus de injusto, se revoltou, pediu a morte, nem mesmo reconheceu que Deus poderia ajudá-lo: Não sou capaz de me ajudar a mim mesmo, e não há ninguém que me socorra (Jó 6:13). Ele mesmo fechou as portas para receber a ajuda de Deus. Como eu já disse anteriormente aqui no blog, Deus não se move por necessidades. Há muita gente precisando de ajuda por aí, mas Ele não se "intromete". Ele se move quando é chamado. Clama a mim e te responderei. Anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes (Jr 33.3). Olha só como Jó impediu a ação de Deus: Detesto a vida; não quero mais viver. Deixa-me em paz, pois a minha vida não vale nada (Jó 7:16). Pediu para ser deixado em paz, Deus o deixou em paz.

Na Sua infinita paciência e compaixão, Deus só responde quando Jó desiste de continuar reclamando e dá a questão por encerrada. Como gostaria que alguém me ouvisse! Aqui eu termino e assino a minha defesa; que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a acusação, e, com orgulho, eu a carregarei no ombro e a porei na cabeça como se fosse uma coroa! Darei conta a Deus de todos os meus atos e na presença dele ficarei de cabeça erguida (Jó 31:35-37). Quando Jó desistiu de reclamar, Deus teve compaixão e restaurou a sorte dele, dando muitas vezes mais do que tudo o que ele já teve um dia. Na Sua resposta, o Senhor não informou o porquê de muitas questões que eu também gostaria de saber. Só informou o essencial: Ele é Deus, sabe de tudo e trabalha sempre para o nosso bem.

O fim foi proveitoso. Jó foi restaurado, conheceu o Senhor mais de perto e me contou algo que eu jamais esquecerei: Deus me ama, me cerca, me protege e, quanto mais cedo pedir Sua ajuda, mais cedo receberei o livramento. 

Mas será que alguém tornará a viver depois de ter morrido? Eu, porém, esperarei por melhores tempos, até que as minhas lutas acabem. Então me chamarás, e eu responderei; e tu ficarás contente comigo, pois me criaste. Cuidarás para que eu não erre, em vez de ficares espiando para me veres pecar. Esquecerás os meus pecados e apagarás os meus erros (Jó 14:14-17).

Tenha um bom dia e chame por Deus.

terça-feira, janeiro 10, 2012

Parece um fantasma

E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus (Mt 14:26-30).

Parece roteiro de filme, mas não é.  Trata-se de uma história real vivida pelos discípulos de Jesus. Cansados, depois de atender a uma multidão que não soltava Jesus porque queria receber curas e ver os milagres, eles foram convidados a entrar num barquinho e esperar pelo Mestre no mar. Jesus ficaria com o trabalho complicado: desvencilhar-se da multidão.
E lá foram eles sozinhos, esgotados depois da experiência de servir a multidão que comeu dos pães e peixinhos multiplicados por Jesus. Serviram o povo, recolheram as sobras, cansaram-se de ver gente. Eu os imagino no barco conversando e olhando a tempestade que se tornava cada vez pior. Eles viram Jesus acalmar as tempestades de outros, mas agora era a hora de mostrar que tinham aprendido a lição e enfrentar as deles próprios. O mar se enfurece, o céu escurece, o dia vai embora, falta a companhia de quem resolveria o problema. Onde estava Jesus? Por que demorava tanto?

Como é fácil nos metermos nas tempestades dos outros! Temos muitos conselhos a dar. Aos nossos olhos, a vida dos outros é moleza. Como eles não vêem o que vemos? Por que não fazem o que lhes dizemos? Seria tão fácil resolver os problemas dos outros! E posso falar: muitas vezes damos grande ajuda mesmo.

Mas chega a hora em que infelizmente a tempestade se forma em volta de nós. Quem está conosco dela participa, mas sabemos que ela é totalmente nossa. No começo parece uma pequena onda que vai passar logo, logo. Então olhamos para o céu e vemos tudo escuro. Vai ficando mais tarde, mais tarde e mais tarde para enfrentar o problema, para voltar à praia. E o Mestre? Parece que nem vai aparecer. Demora.

Então lá longe se vê um vulto branco vindo na direção. Os discípulos chamam uns aos outros para que vejam. O que será aquilo? Será que alguém está vendo melhor, está enxergando mais longe, poderia dizer do que se trata? Mas não. Ninguém tem respostas, ninguém enxerga claramente. E quanto mais se aproxima, mais medo dá – E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma.

E lá vem Pedro, medroso, mas menos do que todos. O suficiente para questionar aquela imagem que mais parece um fantasma. Está vestido como um fantasma, anda como um fantasma, só que tem outro nome. Chama-se Livramento. Pedro ouve do Senhor a resposta: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E pede confirmação: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E vive uma experiência grandiosa: anda sobre o mar. Só um pouquinho, mas anda. Dizem que foi covarde. Mentira. Foi o mais corajoso dos discípulos.

Nós também precisamos limpar nossos óculos para ver direito. Parece um fantasma, mas é livramento. Quando estamos em apuros, Deus vem. Ele sempre vem. Demora, porque quer mesmo que contemos a todos que por alguns breves instantes andamos sobre as águas. Então olharão para nós e apontarão: aquele ali foi o que andou sobre as águas. Os invejosos dizem: “Mas foi só por cinco segundos”, mas têm que se dobrar. Que andou andou. Inveja mata.

Aguenta firme. Olhe direito. Não é um fantasma. Jesus sempre chegará a tempo de acalmar a tempestade e fazer de você aquela famosa pessoa que sobreviveu ao pior dos temporais sabe como? Fazendo o impossível: andando sobre as águas.

Bom-dia!!!