terça-feira, junho 18, 2013

O Mas e o Porém

"E a nossa esperança era que fosse ele [Jesus] quem iria libertar o povo de Israel. Porém já faz três dias que tudo isso aconteceu" (Lc 24:21).

Esse versículo faz parte de uma história que aprecio muito. Era o terceiro dia depois da crucificação, o dia exato em que, segundo as profecias, o Messias iria ressuscitar - e já havia ressuscitado. Dois discípulos seguem a estrada de Jerusalém para uma cidade chamada Emaús. Como o texto afirma, estavam desolados. De acordo com o verso acima, o libertador esperado havia morrido; assim também a esperança deles. Preste atenção no "porém" da história: "E a nossa esperança era que fosse ele quem iria libertar o povo de Israel. Porém já faz três dias que tudo isso aconteceu" (Lc 24:21). Parafraseando: Tínhamos uma esperança, porém...

O primeiro versículo dessa história é muito esclarecedor: "Naquele mesmo dia, dois dos seguidores de Jesus estavam indo para um povoado chamado Emaús, que fica a mais ou menos dez quilômetros de Jerusalém" (Lc 24.13). E qual era aquele mesmo dia? Está no mesmo capítulo: "No domingo bem cedo, as mulheres foram ao túmulo, levando os perfumes que haviam preparado" (Lc 24:1). Era o terceiro dia, as mulheres haviam acabado de constatar que Jesus havia ressuscitado, eles foram informados disso, mas havia um "porém" na vida deles: "Algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram espantados, pois foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Voltaram dizendo que viram anjos e que estes afirmaram que ele está vivo.  Alguns do nosso grupo foram ao túmulo e viram que realmente aconteceu o que as mulheres disseram, porém não viram Jesus" (Lc 24:22-24).

Tudo contribuía para que esses discípulos mantivessem a fé. Tinham conhecimento das profecias que afirmavam que Jesus iria ressuscitar no terceiro dia; era o terceiro dia, quer dizer, tinham até as 23h59 para continuar esperando; o corpo de Jesus não estava lá; as mulheres tinham contado a eles que viram anjos que lhes informaram que Ele havia ressuscitado. O que lhes faltava? Apenas ver. Mas a fé não se baseia no que se vê.

Em vez de tristes e sem esperança, esses homens tinham tudo para estar cheios de grandes expectativas. Algo maravilhoso estava por acontecer e, de acordo com as promessas e com o desencadear da história, aquele era o dia, porém eles não creram.

Uma outra história faz um paralelo perfeito a esta. Deus prometeu a um homem que ele seria pai de muitos filhos. Vinte e cinco anos depois nada havia acontecido, já estava velho, seu corpo já não funcionava, não havia motivo para crer. "Abraão teve fé e esperança, mesmo quando não havia motivo para ter esperança, e por isso ele se tornou o pai de muitas nações. Como dizem as Escrituras: “Os seus descendentes serão muitos” (Rm 4:18).

Se os personagens da história anterior tinham muitas horas de vantagem para crer, Abraão tinha 25 anos de "atraso" para descrer. Aparentemente não havia mais tempo, não havia mais saúde, não havia mais nada a não ser o "mas": "Abraão tinha quase cem anos. Mas, mesmo quando ele pensou a respeito do seu corpo, que já estava como morto, ou quando lembrou que Sara não podia ter filhos, a sua fé não enfraqueceu" (Rm 4:19). Mesmo com tudo a desfavor, ele creu.

Qual foi o resultado? Sua fé o fortaleceu - "Abraão não perdeu a fé, nem duvidou da promessa de Deus. A sua fé o encheu de poder, e ele louvou a Deus  porque tinha toda a certeza de que Deus podia fazer o que havia prometido" (Rm 4:20, 21). Porque cria, ficava cada vez mais forte. Porque cria, suportava a espera. Porque cria, perseverava na caminhada. Porque cria, viveu para ver a promessa de um filho se cumprir.

E você? Está vivendo o "porém" da dúvida, que justifica o fato de não estar vendo o que espera e desanima, ou o "mas" da fé, que não tem em que se apoiar e ainda permanece perseverando, esperando, suportando, caminhando, convicto de que está quase?

Abraão creu, teve o filho, recebeu a promessa, tornou-se um modelo de fé. 

Cada um decide o final da sua história.

domingo, maio 05, 2013

A Senha

Os quartos de hotéis têm cofre com senha. Escolhemos alguns números, digitamos e o cofre fecha e abre. As pessoas que têm muito dinheiro, muitas joias também costumam ter cofres em casa ou em bancos e, dispondo da senha, abrem e fecham com tranquilidade o local onde depositam suas riquezas.

O céu está cheio de tesouros que são nossos. Deus nos fez co-herdeiros com Cristo. Assim, tudo o que está disponível no cofre do céu é tanto dEle quanto nosso. E como é um tesouro, para obter o que lá está é preciso usar a senha.

E qual é a senha? Vamos começar pela ação. Dirigir-se até o local do cofre é o primeiro ato. Ir a Deus em oração é o primeiro ato. Tudo vem Deus - "Ao  Senhor  Deus pertencem o mundo e tudo o que nele existe; a terra e todos os seres vivos que nela vivem são dele" (Sl 24:1).

Como Deus dá daquilo que Lhe pertence? Ele nos manda pedir. "Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês.  Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate" (Mt 7:7, 8). Parece simples, e é. Mas talvez você queira me lembrar das inúmeras coisas que você pediu e não recebeu. Deus falou que não recebemos o que pedimos por um motivo simples: porque pedimos mal. "Vocês querem muitas coisas; mas, como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las. Vocês as desejam ardentemente; mas, como não conseguem possuí-las, brigam e lutam. Não conseguem o que querem porque não pedem a Deus.  E, quando pedem, não recebem porque os seus motivos são maus. Vocês pedem coisas a fim de usá-las para os seus próprios prazeres" (Ti 4:2, 3).

Alguns exemplos de orações da Bíblia me impressionam. Quero comentar um deles.

Pedro e João, cheios do Espírito Santo, começaram a divulgar o evangelho em Jerusalém, terra onde Jesus, o centro da mensagem, havia sido crucificado. Além de falarem com poder, começaram a fazer muitos milagres no nome de Jesus.

O capítulo 3 do livro de Atos conta a cura de um coxo que mendigava à porta do templo. Quando esse homem foi curado, as pessoas quiseram exaltar a Pedro e João e eles pregaram ao povo de uma maneira tão espetacular que cinco mil se converteram naquele dia. Preocupados, os principais das sinagogas, os mestres da lei, fariseus, saduceus, sumo sacerdote, religiosos se reuniram, os prenderam, mas não podiam mantê-los presos porque não haviam cometido crime e eram estimados pelo povo, então, antes de soltá-los ameaçaram a que não falassem mais de Jesus.

Logo que foram libertados se dirigiram à igreja e fizeram uma linda oração, muito instrutiva. O que você teria orado se a oposição estivesse aumentando? O que pediria se soubesse que os castigos a quem falava de Jesus eram cada vez mais cruéis? O que diria a Deus se, para fazer a Sua obra, fosse necessário expor-se a perigo? 

O meu pedido seria para que Deus calasse toda a oposição, exaltasse as pessoas a quem Ele havia separado para esse ofício, impedisse toda perseguição e frustrasse os planos dos perseguidores. Seria uma oração totalmente errada. De forma alguma Ele assim me responderia. Deus não parou a perseguição, os pais da igreja receberam mortes horrorosas - Tiago foi morto pela espada, Pedro crucificado de cabeça para baixo, João exilado numa ilha até a sua morte solitária e há histórias tão horríveis quanto essas que nem sabemos - a igreja foi assolada e oprimida e, pelo que a história indica, os perseguidores "não foram punidos". Aqui cabe perfeitamente o que Tiago ensinou: "Não recebeis porque pedis mal". 

Vejamos o que Pedro e João pediram na oração deles: "Agora, Senhor, olha para a ameaça deles. Dá aos teus servos confiança para anunciarem corajosamente a tua palavra" (At 4:29). Que lição! Eles pediram a Deus que ouvisse as ameaças dos perseguidores, apenas ouvisse. Não pediu que os calasse, não pediu que os matasse, não pediu que sofressem, que mostrassem a eles o quanto estavam errados. Apenas: "Senhor, ouça". E frente a essa ameaça o que eles queriam era apenas manter a coragem para continuar. Deixe-me parafrasear: "Senhor, eles disseram que, se continuarmos, vão nos prender, vão nos pendurar de cabeça para baixo, vão nos bater até sangrarmos muito, vão nos enforcar, nos colocar na guilhotina, e eu Te peço CORAGEM". Meu Deus...

O capítulo diz o que aconteceu depois que fizeram essa oração: "Quando terminaram de fazer essa oração, o lugar onde estavam reunidos tremeu" (At 4:31a). O céu se alegrou ao ver que nada os pararia. Tudo de que eles precisavam era fortalecimento interior. Com ou sem ameaças, estando tudo favorável ou desfavorável o que eles precisavam não era de nada externo; era de vencer a si mesmos e continuar.

E tem mais. A oração deles fez com que outros fossem cheios do Espírito  Santo e, como Deus se agradou, respondeu imediatamente: "Então todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a anunciar corajosamente a palavra de Deus" (At 4:31b). Pediram coragem e ganharam coragem. “Qual pai, do meio de vocês, se o filho pedir um  peixe, em lugar disso lhe dará uma cobra? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo a quem o pedir!” (Lc 11:11-13).

Precisamos aprender a senha do cofre de Deus!

Espírito Santo, me ensine a orar.

domingo, abril 28, 2013

Isso é que é Poder!

Fonte inesgotável é a Palavra de Deus. Às vezes, doce como o mel (aqueles conselhos que achamos fáceis de cumprir ou que já fazem parte da nossa vida); às vezes, amarga como chá de boldo, o remédio do papai (aqueles conselhos que nos desafiam, aos quais dói na alma obedecer). Não se assuste por eu ter dito isso. João, aquele que escreveu apocalipse,  provou um pedacinho da Palavra e disse que era doce na boca e amarga no estômago.

É fácil acreditar que Deus prospera quando temos emprego; que Ele faz da estéril mãe de filhos quando se tem menos de quarenta anos; que todas as coisas cooperam para o nosso bem quando tudo está de vento em popa; que o Senhor nos sara quando os laudos são favoráveis.

Abraão recebeu de Deus a promessa de que seria pai de multidões. Já não era tão jovem quando o Senhor lhe disse isso. Tinha 75 anos. Mas estava bem, era forte, rico, poderoso, casado. Todas as condições eram favoráveis. Era só esperar a hora e correr para o abraço - aliás, seria melhor inverter a ordem das frases!

Entre a promessa e o dia do seu cumprimento pode haver uma distância de horas, de segundos, de anos. Para ele foram 25 anos. Ele não podia ver a promessa; eram "só" palavras. Ele não podia tocar na promessa, nem podia escrevê-la no espelho, nem ouvir os pastores pregando sobre a importância de manter a fé, nem comprar o livro "Decepcionados com Deus", ou "Aprenda a Esperar" ou qualquer outro. Ele não tinha uma Bíblia na escrivaninha ou na sala aberta no Salmo 91. Quais eram as condições favoráveis? 

Temos tantos meios para nos ajudar a manter a fé! Como somos felizes, privilegiados, abençoados! Que prazer em desfrutar de uma aliança superior e de promessas ainda melhores que as dos pais da fé: "Mas, agora, este [Jesus] tem conseguido tanto melhor ministério, quanto é Mediador ainda de uma melhor aliança, a qual tem sido decretada sobre melhores promessas." (Hb 8:6)

Para merecer o título de pai da fé penso que é necessário ter mais fé do que qualquer outra pessoa, certo? Certo. Veja só o que o  livro de Romanos diz acerca de Abraão: "Abraão teve fé e esperança, mesmo quando não havia motivo para ter esperança, e por isso ele se tornou “o pai de muitas nações”. Como dizem as Escrituras: “Os seus descendentes serão muitos” (Rm 4:18). Veja que a Bíblia admite que não havia motivo para ele ter esperança. 

Hora da pausa. É difícil crer mesmo quando se tem motivo para manter a esperança. Algumas circunstâncias nos desafiam. Parecem um espinho na carne. Você quer se esquecer delas, mas estão ali incomodando o tempo todo. Algumas vozes não se calam. Ninguém mais as ouve, por isso não adianta pedir ajuda. Mas quem as ouve não consegue fazê-las silenciar. Quem não tem um grande desafio?

Abraão e Sara foram testados além do que seria para muitos um limite. Um ano, cinco anos, dez anos, quinze anos, vinte e cinco anos e nada. O corpo já não respondia mais, o prazer já havia passado, o natural já nem acontecia mais. Tudo o que se podia ver gritava para eles: "Deus mentiu. Não há mais condições". Todo dia, toda hora podiam olhar para si mesmos e ver a impossibilidade. "Abraão tinha quase cem anos. Mas, mesmo quando ele pensou a respeito do seu corpo, que já estava como morto, ou quando lembrou que Sara não podia ter filhos, a sua fé não enfraqueceu". (Rm 4:19)

Em situações menos complicadas, dispondo de mil artifícios que podem nos ajudar a alimentar a nossa fé, ainda assim nos sentimos fracos, desapontados, desanimados. 

Continuemos a história: "Abraão não perdeu a fé, nem duvidou da promessa de Deus. A sua fé o encheu de poder, e ele louvou a Deus  porque tinha toda a certeza de que Deus podia fazer o que havia prometido". (Rm 4:20, 21) Quero realçar este ponto: a fé de Abraão o encheu de poder. Poder mesmo não é ter uma conta gorda, ser bem relacionado, ser forte. Poderoso é quem tem fé, quem não se deixa desanimar. Abraão tinha toda a certeza de que Deus podia e Deus faria.

Será que Deus ainda pode? Será que Ele tem poder mesmo? Será que Ele depende de circunstância, precisa esperar as condições favoráveis, só pode agir se houver concordância? Será que alguma coisa pode limitá-lO? Estará Ele impedido de agir em seu favor? 

Não sei se você já pensou em como você vive um tempo melhor, com mais recursos, mais conhecimento, mais opções, mais tudo. Talvez queira me dizer: "Os tempos estão mais difíceis". Concordo. Mas temos o Espírito Santo e Ele faz toda a diferença. O que pode nos faltar se temos o próprio Deus vivendo em nós?

"Por isso Abraão, por meio da fé, “foi aceito por Deus.”  As palavras “foi aceito” não falam somente dele.  Falam também de nós, que seremos aceitos, nós os que cremos em Deus, o qual ressuscitou Jesus, o nosso Senhor. Jesus foi entregue para morrer por causa dos nossos pecados e foi ressuscitado a fim de que nós fôssemos aceitos por Deus. (Rm 4:22-25).

Abraão foi aceito porque tinha fé. Nós fomos aceitos porque Jesus morreu por nós. Com fé ou sem fé somos aceitos por Deus. Isso é definitivo. Houve um homem que pediu um milagre a Jesus e Ele perguntou ao homem se cria. Ele respondeu: "Ajuda-me na minha falta de fé" (Mc 9.24). Mesmo sem fé ele recebeu seu milagre. Isto é poder de verdade: ser aceito por Deus, ter Deus morando em nós, contar com a ajuda do Espírito Santo todo tempo, ter a mente de Cristo, ser cheio da Sua unção!!! Quanto poder!!!

Bem-aventurados somos nós que, com fé ou sem fé, fomos comprados por Jesus. Aleluia!

"As palavras “foi aceito” não falam somente dele.  Falam também de nós, que seremos aceitos, nós os que cremos em Deus, o qual ressuscitou Jesus, o nosso Senhor". (Rm 4:23, 24)

terça-feira, abril 16, 2013

Através de Você

A Bíblia é um livro escrito para todos nós, humanidade. Não é um livro de histórias individuais que têm como objetivo enfatizar os feitos de alguns, trazer relatos de pessoas, contar os planos específicos de Deus para poucos escolhidos para propósitos extraordinários. Não. Cada uma das pessoas ali descritas são exemplo para todos os séculos, para todas as pessoas, para todas as histórias. É um livro de todos para todos. Alguns indivíduos são ali citados, algumas histórias são ali contadas, mas a finalidade é, por meio de alguns, falar a todos, abranger e atingir o mundo inteiro.

Vemos em alguns textos que, aparentemente, Deus escolheu algumas pessoas para propósitos especiais: Mas Deus me separou [Paulo] desde o ventre materno e me chamou por sua graça (Gl 1:15); Antes de formá-lo [Jeremias] no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações (Jr 1:5); Eu escolhi a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá (Ex 31.2). Chegamos a pensar que Deus tinha predileção por alguns: Jeremias, Davi, Paulo, que tem planos extraordinários apenas para alguns. Chegamos até a ter inveja dessas pessoas e a perguntar por que Deus escolheu só a estes.

Será que Deus tem pessoas mais queridas? A Bíblia responde a essa pergunta. Ela diz: Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas (Rm 2.11). O que quer dizer isso? Que Deus tem planos para todos. Quero provar isso. Deus escolheu a Jeremias? É claro que sim. Se a Bíblia diz que Deus o escolheu, é porque escolheu. Não podemos negar, porque a Bíblia diz isso com todas as letras. Mas será que ele escolheu somente Jeremias? A resposta a essa pergunta é não.

Deus escolheu a cada um de nós. Quando foi que o fez? Desde antes da fundação do mundo. Antes mesmo que nascêssemos, Ele já tinha um plano para nós. Assim como Moisés, Josué, Gideão, Pedro, nós também somos escolhidos para propósitos específicos. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença (Ef 1:4). Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós (Jo 15:16a). Antes mesmo de existirmos, Ele já tinha planos para nós e tinha determinado até mesmo quanto tempo vamos viver: Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir (Sl 139:16).

Os mesmos planos extraordinários que Deus tinha para Paulo quando o enviou para uma missão, tem também para nós. As mesmas obras que os apóstolos, patriarcas, profetas, homens da Bíblia fizeram podemos nós também fazer. O que foi garantido a eles, nos foi dado de uma maneira maior. Hebreus diz que Deus tem planos maiores acerca de nós, que vivemos nesta nova aliança. Temos um projeto de vida ainda mais excelente, porque essa aliança é mais excelente. Mas Jesus Cristo é o Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas (Hb 8.6).

Podemos fazer coisas mais incríveis do que até mesmo João Batista, considerado por Jesus o maior profeta da velha aliança. E sabe por que? Temos à nossa disposição um Auxiliador extraordinário: o Espírito Santo. Na época do Velho Testamento, Ele apenas pousava sobre as pessoas, mas não morava dentro delas. Nós temos o privilégio de tê-lO habitando dentro de nós. Veja que a palavra é esta mesmo: habitando. Ele não nos visita, não aparece de vez em quando. Ele vive dentro de nós, o que quer dizer que está disponível todo tempo, atento todo tempo, conosco em toda e qualquer situação. Aleluia!

Temos à nossa disposição um poder inimaginável. Por isso não precisamos nos submeter a qualquer situação ou circunstância. Podemos agora mesmo solicitar a ajuda do Espírito Santo, dispor do Seu poder que está dentro de nós, deixá-lo fluir pelo mundo, vivendo como realizadores de milagres, como ministros da reconciliação, como reparadores de brechas, seja onde for que elas estejam.

Deus espera que, assim como Jesus, nós também andemos por aí a desfazer as obras do diabo, para começar, dentro da nossa própria casa. Toda inimizade, confusão, falta de paz, falta de amor, falta de alegria nós podemos desfazer agora mesmo. Não temos um poder que dá apenas para nós. Temos uma fonte que jorra, que transborda. Quanto mais oferecermos mais temos a oferecer. Quanto mais damos mais temos. Essa é a lei do reino. Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês (Lc 6:38).

Vale a pena ressaltar: quanto mais paz oferecemos mais paz temos; quanto mais amor oferecemos mais amor temos; quanto mais alegria expressamos mais alegria vem a nós, simplesmente porque temos à nossa disposição uma fonte inesgotável. Foi isso que Jesus quis dizer à mulher samaritana quando afirmou que quem bebesse da água que Ele dá, que simboliza o Espírito Santo, teria uma fonte a jorrar para sempre. Quanto mais bebemos dEle mais temos a jorrar para dessedentar o mundo.

Hoje eu incentivo você a sair por aí dando de beber às pessoas. Não deixe ninguém morrendo de sede ao seu redor. Ofereça da alegria, da paz, do amor, da doçura, da educação, do sorriso, do serviço, da disposição, da paciência que estão em você. Nós temos, na Palavra de Deus, uma fonte limpa, que lava, vivifica, renova.

Ofereça mais de Deus ao mundo. Ofereça mais de Deus àquelas pessoas que estão ao seu redor. Não espere por um grande projeto, por um tempo extraordinário na sua vida em que Deus vai enviar você às nações, como tenho visto dezenas de pessoas fazerem. Você não precisa disso. Há nações do seu lado precisando de você agora. Eu tenho três na minha casa, o marido e dois filhos. Mais do que de quaisquer outras pessoas, eles precisam da minha presença, da minha alegria, do meu trabalho, dos meus ouvidos. Eu sou o canal que Deus quer usar para trazer ao mundo as suas obras maravilhosas. Muitas pessoas não vão ver os meus filhos hoje. Hoje provavelmente não vamos à igreja, já que minha filha está em semana de provas. Mas deve haver alguém na minha casa para transmitir de Deus para os meus filhos - é isso que Deus espera - e esse alguém sou eu. Deus conta comigo.

Faça o mesmo. Distribua de Deus para as pessoas que estão ao seu redor agora. Ofereça um sorriso, uma palavra amiga, dois ouvidos atentos. Já descobri que muitas pessoas não precisam de mais do que alguém que as ouça. Você é a Bíblia que muitos vão ler.

Saia por aí e seja um canal de Deus na vida das pessoas, afinal, tenho certeza de que, se você já aceitou a Jesus como seu Senhor e Salvador, se parece muito com Ele. Deixe o mundo vê-lO através de você!

segunda-feira, abril 08, 2013

Mérito do Pai

Diz um ditado que se conselho fosse bom seria vendido, e não dado. Diz a Bíblia que só um tolo despreza a sabedoria, só um tolo não quer conselhos, só um tolo acha que sabe o suficiente.

Conselhos são bem-vindos, mas não por parte de qualquer pessoa. Não nos aconselhamos com qualquer um. Precisamos escolher bem para receber os conselhos das pessoas certas. Meter o bedelho todo mundo sabe, mas trazer soluções só alguns. Por isso é importante os bons relacionamentos.

Já disse em alguns posts anteriores que Salomão foi o autor do livro dos conselhos, cujo objetivo é fazer-nos conhecer e andar na sabedoria. Para escrever um livro assim a pessoa precisa ter autoridade no que está dizendo. E Salomão tinha. Assim a Bíblia o define, é este o testemunho que Deus dá acerca dele: "E deu Deus a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar. E era a sabedoria de Salomão maior do que a sabedoria de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios" (I Re 4.29,30).

Como é que alguém se torna o homem mais sábio do mundo? Como tudo começou? No capítulo 4 de Provérbios, ele revela esse segredo. Muitos acham Salomão "o cara" por, quando perguntado por Deus o que queria, ter escolhido a coisa certa. Mas por que será que ele escolheu a coisa certa? Aqui está a resposta: "Porque eu era filho de meu pai, tenro e único em estima diante de minha mãe. E ele ensinava-me e dizia-me: Retenha as minhas palavras o teu coração; guarda os meus mandamentos e vive. Adquire a sabedoria, adquire a inteligência e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca. Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama -a, e ela te conservará. A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o conhecimento" (Pv 4.3-7).

Parabéns para Davi. Ele deixou marcas profundas na vida de seu filho, além de uma herança física extraordinária, que foi o reinado.

Salomão conta neste capítulo quais eram os conselhos do seu pai. É lindo ver que as lembranças do seu pai moldaram todo o sucesso que alcançou. Não foi a genialidade de Salomão que o fez escolher a sabedoria. Foi ter atendido os conselhos de seu pai. Até comentei com o meu marido hoje que certamente os conselhos lembrados por Salomão devem ter sido repetidos por Davi inúmeras vezes. 

Isso me fez ver que é importante repetir para os meus filhos aquilo que realmente importa até que fique gravado na cabeça e no coração deles. Paulo diz que para nós é segurança, e não enfado, ouvir as mesmas coisas, ainda que só venhamos a entender isso com o tempo - "Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós" (Fl 3.1).

Penso que Davi também, como todo pai, era repetitivo. Ele dizia: "Retenha as minhas palavras o teu coração; guarda os meus mandamentos e vive (3.4). Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se te multiplicarão os anos de vida (3.10). Pega-te à correção e não a largues; guarda -a, porque ela é a tua vida (3.13). Filho meu, atenta para as minhas palavras; às minhas razões inclina o teu ouvido. Não as deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-as no meio do teu coração. Porque são vida para os que as acham e saúde, para o seu corpo" (4.20-22). Muitas vezes ele disse: ouça, aceitei, incline o ouvido, guarde... Como pais, não podemos nos cansar de corrigir, instruir, encaminhar.

E por que deu certo durante muito tempo os conselhos de Davi a seu filho? Porque ele não disse: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Ele foi o exemplo. "No caminho da sabedoria, te ensinei e, pelas carreiras direitas, te fiz andar" (4.11). Veja que ele diz: no caminho te ensinei e não o caminho te ensinei. Quer dizer, ele estava mostrando como fazer e não indicando o caminho. E também: te fiz andar. Esse pedaço é interessante. Ele não fala: "Eu te disse para andar", mas, "eu te fiz" andar. Muitas vezes é preciso fazer o filho andar à força. Nem sempre ele vai querer andar no caminho que nós escolhemos. Mas como diz a minha mãe: criança não tem querer.

Vejo que uma das coisas que mais tem atrapalhado os pais na educação dos filhos é o comodismo. Educar dá trabalho, muito trabalho. Muitas vezes queremos "nos poupar" e assim tentamos encontrar alguém para ficar com eles enquanto nós seguimos com a nossa vida ocupada. Esquecemos que eles são muito importantes e que, se não forem bem educados, no futuro darão muito mais trabalho do que quando crianças.

Tenho um compromisso de levar os meus filhos o mais que posso à igreja e não é de agora. Não foram poucas as vezes em que dormiram nos bancos enquanto eu ensaiava. Expô-los a um lugar onde a unção de Deus tem liberdade para se manifestar é para mim uma prioridade. Não peço para a minha mãe ficar com eles. Eu os levo, às vezes contra a vontade deles próprios.

Eu vivi isso. Meus pais tinham muitas atividades na igreja e sempre nos levavam. Eu gostava de brincar na igreja. Valeu a pena. Somos três irmãos felizes, formamos três famílias felizes e assim vamos continuar, porque o Deus a quem servimos é fiel para nos sustentar.

Mais do que ler a Bíblia e meditar a respeito, hoje estou convencida pelo Espírito Santo da necessidade de transmiti-la a meus filhos, repetindo, repetindo, repetindo quantas vezes forem necessárias.

Para encerrar, deixo aqui alguns dos bons conselhos do sábio: "Pois dou-vos boa doutrina; não deixeis a minha lei (4.2); adquire a sabedoria, adquire a inteligência e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca. Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama -a, e ela te conservará. A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o conhecimento. Exalta -a, e ela te exaltará; e, abraçando -a tu, ela te honrará. Dará à tua cabeça um diadema de graça e uma coroa de glória te entregará (4.5-9). 

Antes de ensinar aos outros, é preciso ensinar a si mesmo. Também por isso estou eu aqui meditando nos preceitos da Palavra. 

Hora de cuidar dos filhotes.