sábado, agosto 17, 2013

Carece não!

Depois de muito tempo sem escrever por conta de um projeto pessoal que está caminhando muito bem - estou escrevendo um livro -, preciso compartilhar o que aprendi ontem e desfazer algo que está escrito neste blog em algum lugar. Que bom que a gente cresce, aprende, amadurece e tem a oportunidade de consertar alguns erros! Vamos lá.

Um dia, li este texto aqui: "O ser humano é capaz de dominar todas as criaturas e tem dominado os animais selvagens, os pássaros, os animais que se arrastam pelo chão e os peixes. Mas ninguém ainda foi capaz de dominar a língua. Ela é má, cheia de veneno mortal, e ninguém a pode controlar" (Ti 3:7,8). É preciso ir além de alguns versículos para realmente compreender o que um texto bíblico quer dizer.

Por conta dos versículos acima, eu concluí que era impossível controlar a língua, que somos vítimas de um poder que está em nós e que é tão violento, tão violento que não podemos dominá-lo. Frequentemente somos colocados em situações embaraçosas por nossa própria boca. Deixamos escapar coisas que não deviam ter ocupado nem mesmo os nossos pensamentos. Quando vemos, escapuliu uma observação inoportuna, uma declaração incompatível com aquilo em que acreditamos.

Acho que você já ouviu falar que todos nós, durante o tempo da nossa vida, temos cinco minutos de bobeira. São aqueles momentos em que fazemos alguma coisa que nos traz um profundo arrependimento. Na fala, sinceramente, botem cinco minutos nisso!!!

O que o texto quer dizer não é que não há jeito para a nossa língua, mas que ela exige uma vigilância rigorosa. Vejamos outros versículos desse capítulo: "Todos nós sempre cometemos erros. Quem não comete nenhum erro no que diz é uma pessoa madura, capaz de controlar todo o seu corpo. Até na boca dos cavalos colocamos um freio para que nos obedeçam e assim fazemos com que vão aonde queremos" (Ti 3:2,3). Quer dizer, se controlarmos a boca do cavalo, controlamos seu corpo. Será que o mesmo se aplica ao ser humano?

Bom, que todos nós sempre cometemos erros é um fato. E que grande parte deles começa com o que dizemos também. Veja que o texto diz que quem é bom com as palavras é uma pessoa madura. E maturidade não é uma condição pronta e acabada. Não haverá um dia em que poderemos dizer: "Nossa, como sou maduro!" Estamos amadurecendo dia a dia.

E como acelerar esse processo? O texto nos dá um relance: se controlamos o cavalo pondo um freio na sua boca e assim podemos domar seu corpo inteiro, o mesmo devemos fazer a nós. Um freio na nossa boca é um bom instrumento.

Não errar no que se diz é treinamento. Mesmo que queiramos ficar calados muitas vezes, somos impelidos a falar em algumas situações. Veja só o que ainda diz o texto: "Pensem no navio: grande como é, empurrado por ventos fortes, ele é guiado por um pequeno leme e vai aonde o piloto quer" (Ti 3:4). É o seguinte: os ventos fortes empurram o barco da nossa vida. As pressões, as circunstâncias, o dia a dia nos empurram. Precisamos tomar decisões. Não podemos deixar o nosso barco ao léu, sendo tocado pelos ventos para qualquer lugar. Que os ventos nos empurrarão é fato, mas cabe a nós dar a direção. 

Foi usando as palavras que Deus criou tudo. Ele disse "haja" e houve. Nossas palavras estão criando o nosso mundo, dirigindo a nossa vida. Como diz a Bíblia, a vida e a morte estão no poder da língua.

"É isto o que acontece com a língua: mesmo pequena, ela se gaba de grandes coisas. Vejam como uma grande floresta pode ser incendiada por uma pequena chama!" (Ti 3:5). A língua é tão poderosa quanto o fogo. Basta uma pequenina fagulha para começar um incêndio. Basta uma pequenina palavra dita de forma errada para estarmos envolvidos num grande problema. "A língua é um fogo. Ela é um mundo de maldade, ocupa o seu lugar no nosso corpo e espalha o mal em todo o nosso ser. Com o fogo que vem do próprio inferno, ela põe toda a nossa vida em chamas" (Ti 3:6).

Agora vem a parte curiosa: "Usamos a língua tanto para agradecer ao Senhor e Pai como para amaldiçoar as pessoas, que foram criadas parecidas com Deus. Da mesma boca saem palavras tanto de agradecimento como de maldição. Meus irmãos, isso não deve ser assim" (Ti 3:9,10). Quer dizer, usamos a língua tanto para o bem quanto para o mal, mas - porém, contudo, todavia -, não deve, não precisa, não carece ser assim. Aleluia! Sabe o que Tiago está dizendo? Pode ser de outro modo. Não sou escrava da minha língua. Eu mando nela!

Para encerrar, preciso compartilhar com você um texto que o meu marido falou para mim esses dias que caiu como uma luva. Foi este aqui: "Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para irar-se" (Ti 1:19). Essa parte de ser tardio para falar me chamou a atenção. Fiquei pensando: o tardio para falar é aquele sujeito a quem dizemos: "Ei, fulano, diga alguma coisa"! As pessoas assim até incomodam. Normalmente a gente fala, fala, fala, depois, quando vê que aquela pessoa não fala nada, pede a opinião. É preciso estimulá-la a falar. E às vezes ainda dizem: "Não tenho nada para dizer". Chega a dar gastura! (rsss)

Pois é. É assim que eu quero ser: tardia para falar. É melhor que os outros peçam a minha opinião do que me envolver em problemas por ter falado demais. Carece não!

Hora de pôr um freio nos dedos. Já falei demais! (rsss)

Bom dia!!!




domingo, junho 23, 2013

Ore

Estava meditando no livro de Filipenses. É incrível como a gente lê as mesmas coisas, mas a Palavra não se repete. Cada dia um entendimento novo. É tudo "velho", mas é tudo novo. Quer ver isso na Bíblia? "Meus queridos amigos, este mandamento que estou dando a vocês não é novo. É o mandamento antigo, aquele que vocês receberam lá no começo. O mandamento antigo é a mensagem que vocês já ouviram.  Porém o mandamento que eu estou dando a vocês é novo porque a sua verdade é vista em Cristo e também em vocês. Pois a escuridão está passando, e já está brilhando a verdadeira luz" (I Jo 2:7,8). Esse texto já intrigou você? Pois é. Eu ficava tentando entender. Como pode ser velho, mas é novo? O mandamento é o mesmo - "velho" -, o entendimento muda - novo.

A oração que Paulo fez pelos Filipenses enterneceu meu coração. Imaginei ele escrevendo a carta e rindo. É uma carta muito leve. Não deveria ser, porque ele fala que passou necessidade, estava preso quando a escreveu, foi açoitado, passou muitas e más (e não poucas e boas). Além de tudo isso, havia a preocupação com as igrejas que havia implantado, da qual Filipos fazia parte. Sabe qual imagino ser o centro da alegria dele, que mudou a minha visão de muita coisa? Este versículo: "Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus" (Fl 1:6).

Sabe, amigo, fica mais fácil viver quando a gente entende que Deus está no controle, não está ocupado, não está esquecido de nós, nem ressentido com alguma coisa errada que tenhamos feito. Haja o que houver Ele não desiste do trabalho que começou. Nunca larga para lá. Ele continua trabalhando por nós: "Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera" (Is 64.4).

Não sei que obra pode estar afligindo o seu coração, se são as obrigações com filhos, com carreira, com finanças, com ministério, com o marido, com algum amigo. Eu sei que você pode agora mesmo entregá-la ao Senhor, deixá-lo envolver-se com aquilo que diz respeito a você e descansar, pois, se Ele está envolvido, Ele cuida. 

Só para ajudá-lo mais um pouquinho quero falar sobre o poder da oração. Quando abrimos o nosso coração para Deus há mais que um alívio imediato, há um poder espiritual em ação na esfera espiritual. Tenho colocado algumas coisas diante dEle e repetido alguns assuntos, mas confesso que havia questões que me deixavam aflita, coisas sobre as quais, por mais que eu queira, não tenho controle. De certa forma, eu tentava guiar a Deus, dizendo: "Pai, faça assim, assim e assim". 

Leia este versículo: "Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós" [...] (Ef 3:20). Quero que você entenda duas coisas muito importantes: primeiro, Ele não só é capaz de fazer infinitamente mais e melhor do que tudo o que podemos pensar; Ele quer fazer e faz. Você pede um, Ele dá mil. Você pede pequeno, Ele dá grande. Segundo: não há como limitá-lO. Veja que o verso diz que Ele faz tudo segundo o Seu poder, não segundo a sua capacidade, o seu orçamento, a sua compreensão, os seus recursos, a sua disponibilidade. É de acordo com o poder dEle! Aleluia!

Livre-se do peso! Descanse em Deus. Ele é Pai, é amor, é compaixão, é bondoso, é fiel, é ilimitado, é gracioso! Não há nada que não possa fazer. 

"Entre vocês há alguém que está sofrendo? Ore" (Ti 5:13).

Não importa se o seu pedido hoje é pequeno ou grande. Ore, crendo que Ele responde e faz infinitamente além do que você possa imaginar. E lembre-se: Quem começou a boa obra nunca a abandona. Ele faz tudo completo".

Bom dia!!!

quinta-feira, junho 20, 2013

O Poder da Associação


Conheço inúmeras pessoas que creem que o evangelho é o poder de Deus para uma salvação que diz respeito apenas ao céu. Na verdade, não compreendem o que de fato quer dizer salvação: cura, libertação, promoção, restauração, provisão etc. Para elas, a terra é um lugar de expiação e sofrimento. Alívio? Só no céu.

Não é sem "embasamento bíblico" que assim pensam. Escolhem alguns versículos isolados, juntam com uma "teologia do sofrimento" e "pagam o preço". A ênfase é sobretudo no "carregar a sua cruz" e morrer dia a dia. Evangelho de morte. 

A pregação é antagônica: "venha para Jesus e será salvo". Veio para Jesus? Agora morra para tudo o que você gosta, para tudo o que é bom, participe do sofrimento que garante o céu.

Depois de quatrocentos anos no Egito, Deus Se revela a Moisés e o escolhe para livrar o povo das mãos de um povo que adorava a mais de três mil deuses. "Moisés perguntou: 'Quando eu chegar diante dos israelitas e lhes disser: O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês, e eles me perguntarem: Qual é o nome dele? Que lhes direi?'    Disse Deus a Moisés: “Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês” (Ex 3:13, 14). Eles conheciam o deus da morte, o deus do Nilo, o deus da colheita, o deus do vento, o deus da tempestade... Por isso Moisés se preocupa com a forma como apresentará a Deus. Ele é o deus de qual especialidade mesmo? De todas. "Eu Sou o que Sou".

Maravilhosamente Deus guiou esse povo pelo deserto para uma terra bendita, onde era preciso dois homens para carregar um cacho de uvas. Fez sinais e prodígios que não deixavam dúvida de que Ele é Deus. E desde o princípio animou o povo a servi-lO com base numa recompensa: "Prometi tirá-los da opressão do Egito para a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus, terra onde há leite e mel com fartura" (Ex 3:17). Gosto de enfatizar: "Tiro vocês da terra onde são escravos e os levo para uma terra onde serão fartos, ricos, supridos, abundantes.

Em Deuteronômio 28, Suas leis são lidas para o povo e Ele esclarece o que quer dizer andar com Ele e andar sem Ele. Primeiro fala das bênçãos. Com Ele: bendito ao entrar, bendito ao sair, bendita a terra, bendito o trabalho, benditos os bens, benditos os animais, bendito tudo o que o povo tocar, bênção, bênção, bênçao. Leia o capítulo e achará maravilhosas promessas lá. Está em todas as Bíblias. Depois Ele avisa como é sem Ele: maldita a terra, malditas as crias dos animais, peste, doença, miséria, tristeza... Ele não é terrorista, não. É que com Ele estamos protegidos do mal; sem Ele, somos presas fáceis de um inimigo especialista em matar, roubar e destruir.

Agora vamos ao texto que motivou este post: "Vocês fizeram bem em se associar às minhas tribulações. Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês;  pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade. Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês.  Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. São uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus (Fl 4:14-18).

Paulo estava preso quando escreveu esse texto e começa dizendo: "vocês fizeram bem em se associar ao meu sofrimento". Já ouvi mensagens sobre isso. Enquanto Deus faz questão de dizer primeiro das recompensas em servi-lO, enquanto escreveu na Bíblia mais de oito mil promessas, há muitos fazendo questão de enfatizar "o preço de servir a Deus", o caminho do sofrimento, como se Jesus já não tivesse pago o bastante, como se o evangelho não fosse um caminho da graça.

Muitos dizem que Paulo está convocando o povo para sofrer com ele: "Associem-se ao meu sofrimento". Ele disse isso? Disse. Mas o que queria dizer? Veja o contexto. Paulo estava preso e passando necessidade. A igreja de Filipos recolheu uma grande oferta e enviou para ele. Eles se associaram ao sofrimento de escassez por que Paulo passava suprindo sua necessidade e não passando fome junto com ele.

Meditemos um pouco a esse respeito. O que Paulo esperava de quem se associava ao sofrimento dele era que o suprisse. Associar-se a quem chora não é chorar com ele. A compaixão é mandamento. É isso que quer dizer chorar com os que choram. Mas ninguém quer por perto alguém que o ajude a chorar o resto da vida. Quer, sim, alguém que o ajude a se animar. Associe-se ao cansado, ajudando a renovar as suas forças: associe-se ao pobre, ajudando a suprir suas necessidades; associe-se ao triste, dando-lhe motivo para sorrir; associe-se ao desanimado, dando-lhe coragem para prosseguir; associe-se a quem está morrendo, dando-lhe motivos para viver. É desse tipo de associação que Paulo está falando. É assim que se associa ao sofrimento de alguém.

O evangelho é poder, é cura, é vida abundante em todos os sentidos. E quanto a carregar a cruz, a morrer para si mesmo? A morte é para o velho homem, a cruz para a velha natureza que já morreu no espírito, mas precisa ser abandonada dia a dia pela renovação da mente. O evangelho não é dor. Dor é não andar com Deus. Dor é ter que viver num mundo caído que ignora as leis espirituais e insiste em infringir os príncipios de Deus.

Encerro falando da transformação poderosa que Cristo proporcionou a nós, da mudança de status. Éramos escravos do pecado sem Cristo. Fazer o mal, gostar do mal era próprio da nossa natureza. A frase "levar vantagem em tudo" nos servia como uma luva. Mas Cristo mudou o nosso status: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo todo seu, para que proclameis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2:9).

Ele nos faz reinar em vida: "Se pela ofensa de um só reinou por ele a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, que é Jesus Cristo" (Rm 5:17). Quando diz reinar em vida é nesta vida mesmo. Lá no céu não precisaremos reinar. Lá está tudo resolvido, é só glória.

Teria mais a dizer, mas preciso me associar àqueles que precisam de mim, não para sofrer com eles, mas para ajudá-los. Jesus nos convida a fazer o mesmo. Seja para quem precisa: ânimo, vigor, alegria, doçura, simplicidade, sorriso, paz, fartura, solução...

Associe-se a quem precisa de você e deseja a sua ajuda!

terça-feira, junho 18, 2013

O Mas e o Porém

"E a nossa esperança era que fosse ele [Jesus] quem iria libertar o povo de Israel. Porém já faz três dias que tudo isso aconteceu" (Lc 24:21).

Esse versículo faz parte de uma história que aprecio muito. Era o terceiro dia depois da crucificação, o dia exato em que, segundo as profecias, o Messias iria ressuscitar - e já havia ressuscitado. Dois discípulos seguem a estrada de Jerusalém para uma cidade chamada Emaús. Como o texto afirma, estavam desolados. De acordo com o verso acima, o libertador esperado havia morrido; assim também a esperança deles. Preste atenção no "porém" da história: "E a nossa esperança era que fosse ele quem iria libertar o povo de Israel. Porém já faz três dias que tudo isso aconteceu" (Lc 24:21). Parafraseando: Tínhamos uma esperança, porém...

O primeiro versículo dessa história é muito esclarecedor: "Naquele mesmo dia, dois dos seguidores de Jesus estavam indo para um povoado chamado Emaús, que fica a mais ou menos dez quilômetros de Jerusalém" (Lc 24.13). E qual era aquele mesmo dia? Está no mesmo capítulo: "No domingo bem cedo, as mulheres foram ao túmulo, levando os perfumes que haviam preparado" (Lc 24:1). Era o terceiro dia, as mulheres haviam acabado de constatar que Jesus havia ressuscitado, eles foram informados disso, mas havia um "porém" na vida deles: "Algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram espantados, pois foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Voltaram dizendo que viram anjos e que estes afirmaram que ele está vivo.  Alguns do nosso grupo foram ao túmulo e viram que realmente aconteceu o que as mulheres disseram, porém não viram Jesus" (Lc 24:22-24).

Tudo contribuía para que esses discípulos mantivessem a fé. Tinham conhecimento das profecias que afirmavam que Jesus iria ressuscitar no terceiro dia; era o terceiro dia, quer dizer, tinham até as 23h59 para continuar esperando; o corpo de Jesus não estava lá; as mulheres tinham contado a eles que viram anjos que lhes informaram que Ele havia ressuscitado. O que lhes faltava? Apenas ver. Mas a fé não se baseia no que se vê.

Em vez de tristes e sem esperança, esses homens tinham tudo para estar cheios de grandes expectativas. Algo maravilhoso estava por acontecer e, de acordo com as promessas e com o desencadear da história, aquele era o dia, porém eles não creram.

Uma outra história faz um paralelo perfeito a esta. Deus prometeu a um homem que ele seria pai de muitos filhos. Vinte e cinco anos depois nada havia acontecido, já estava velho, seu corpo já não funcionava, não havia motivo para crer. "Abraão teve fé e esperança, mesmo quando não havia motivo para ter esperança, e por isso ele se tornou o pai de muitas nações. Como dizem as Escrituras: “Os seus descendentes serão muitos” (Rm 4:18).

Se os personagens da história anterior tinham muitas horas de vantagem para crer, Abraão tinha 25 anos de "atraso" para descrer. Aparentemente não havia mais tempo, não havia mais saúde, não havia mais nada a não ser o "mas": "Abraão tinha quase cem anos. Mas, mesmo quando ele pensou a respeito do seu corpo, que já estava como morto, ou quando lembrou que Sara não podia ter filhos, a sua fé não enfraqueceu" (Rm 4:19). Mesmo com tudo a desfavor, ele creu.

Qual foi o resultado? Sua fé o fortaleceu - "Abraão não perdeu a fé, nem duvidou da promessa de Deus. A sua fé o encheu de poder, e ele louvou a Deus  porque tinha toda a certeza de que Deus podia fazer o que havia prometido" (Rm 4:20, 21). Porque cria, ficava cada vez mais forte. Porque cria, suportava a espera. Porque cria, perseverava na caminhada. Porque cria, viveu para ver a promessa de um filho se cumprir.

E você? Está vivendo o "porém" da dúvida, que justifica o fato de não estar vendo o que espera e desanima, ou o "mas" da fé, que não tem em que se apoiar e ainda permanece perseverando, esperando, suportando, caminhando, convicto de que está quase?

Abraão creu, teve o filho, recebeu a promessa, tornou-se um modelo de fé. 

Cada um decide o final da sua história.

domingo, maio 05, 2013

A Senha

Os quartos de hotéis têm cofre com senha. Escolhemos alguns números, digitamos e o cofre fecha e abre. As pessoas que têm muito dinheiro, muitas joias também costumam ter cofres em casa ou em bancos e, dispondo da senha, abrem e fecham com tranquilidade o local onde depositam suas riquezas.

O céu está cheio de tesouros que são nossos. Deus nos fez co-herdeiros com Cristo. Assim, tudo o que está disponível no cofre do céu é tanto dEle quanto nosso. E como é um tesouro, para obter o que lá está é preciso usar a senha.

E qual é a senha? Vamos começar pela ação. Dirigir-se até o local do cofre é o primeiro ato. Ir a Deus em oração é o primeiro ato. Tudo vem Deus - "Ao  Senhor  Deus pertencem o mundo e tudo o que nele existe; a terra e todos os seres vivos que nela vivem são dele" (Sl 24:1).

Como Deus dá daquilo que Lhe pertence? Ele nos manda pedir. "Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês.  Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate" (Mt 7:7, 8). Parece simples, e é. Mas talvez você queira me lembrar das inúmeras coisas que você pediu e não recebeu. Deus falou que não recebemos o que pedimos por um motivo simples: porque pedimos mal. "Vocês querem muitas coisas; mas, como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las. Vocês as desejam ardentemente; mas, como não conseguem possuí-las, brigam e lutam. Não conseguem o que querem porque não pedem a Deus.  E, quando pedem, não recebem porque os seus motivos são maus. Vocês pedem coisas a fim de usá-las para os seus próprios prazeres" (Ti 4:2, 3).

Alguns exemplos de orações da Bíblia me impressionam. Quero comentar um deles.

Pedro e João, cheios do Espírito Santo, começaram a divulgar o evangelho em Jerusalém, terra onde Jesus, o centro da mensagem, havia sido crucificado. Além de falarem com poder, começaram a fazer muitos milagres no nome de Jesus.

O capítulo 3 do livro de Atos conta a cura de um coxo que mendigava à porta do templo. Quando esse homem foi curado, as pessoas quiseram exaltar a Pedro e João e eles pregaram ao povo de uma maneira tão espetacular que cinco mil se converteram naquele dia. Preocupados, os principais das sinagogas, os mestres da lei, fariseus, saduceus, sumo sacerdote, religiosos se reuniram, os prenderam, mas não podiam mantê-los presos porque não haviam cometido crime e eram estimados pelo povo, então, antes de soltá-los ameaçaram a que não falassem mais de Jesus.

Logo que foram libertados se dirigiram à igreja e fizeram uma linda oração, muito instrutiva. O que você teria orado se a oposição estivesse aumentando? O que pediria se soubesse que os castigos a quem falava de Jesus eram cada vez mais cruéis? O que diria a Deus se, para fazer a Sua obra, fosse necessário expor-se a perigo? 

O meu pedido seria para que Deus calasse toda a oposição, exaltasse as pessoas a quem Ele havia separado para esse ofício, impedisse toda perseguição e frustrasse os planos dos perseguidores. Seria uma oração totalmente errada. De forma alguma Ele assim me responderia. Deus não parou a perseguição, os pais da igreja receberam mortes horrorosas - Tiago foi morto pela espada, Pedro crucificado de cabeça para baixo, João exilado numa ilha até a sua morte solitária e há histórias tão horríveis quanto essas que nem sabemos - a igreja foi assolada e oprimida e, pelo que a história indica, os perseguidores "não foram punidos". Aqui cabe perfeitamente o que Tiago ensinou: "Não recebeis porque pedis mal". 

Vejamos o que Pedro e João pediram na oração deles: "Agora, Senhor, olha para a ameaça deles. Dá aos teus servos confiança para anunciarem corajosamente a tua palavra" (At 4:29). Que lição! Eles pediram a Deus que ouvisse as ameaças dos perseguidores, apenas ouvisse. Não pediu que os calasse, não pediu que os matasse, não pediu que sofressem, que mostrassem a eles o quanto estavam errados. Apenas: "Senhor, ouça". E frente a essa ameaça o que eles queriam era apenas manter a coragem para continuar. Deixe-me parafrasear: "Senhor, eles disseram que, se continuarmos, vão nos prender, vão nos pendurar de cabeça para baixo, vão nos bater até sangrarmos muito, vão nos enforcar, nos colocar na guilhotina, e eu Te peço CORAGEM". Meu Deus...

O capítulo diz o que aconteceu depois que fizeram essa oração: "Quando terminaram de fazer essa oração, o lugar onde estavam reunidos tremeu" (At 4:31a). O céu se alegrou ao ver que nada os pararia. Tudo de que eles precisavam era fortalecimento interior. Com ou sem ameaças, estando tudo favorável ou desfavorável o que eles precisavam não era de nada externo; era de vencer a si mesmos e continuar.

E tem mais. A oração deles fez com que outros fossem cheios do Espírito  Santo e, como Deus se agradou, respondeu imediatamente: "Então todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a anunciar corajosamente a palavra de Deus" (At 4:31b). Pediram coragem e ganharam coragem. “Qual pai, do meio de vocês, se o filho pedir um  peixe, em lugar disso lhe dará uma cobra? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo a quem o pedir!” (Lc 11:11-13).

Precisamos aprender a senha do cofre de Deus!

Espírito Santo, me ensine a orar.