terça-feira, abril 02, 2013

Você não leu?

Começou o maravilhoso dia de milagres: Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele (Sl 118.24). É assim que a Bíblia propõe que comecemos o nosso dia: com alegria, animados, com grandes e boas expectativas. Que tal dar um grande sorriso e olhar em volta para as inúmeras coisas boas que estão ao seu lado?

Continuo hoje um assunto pendente de ontem. O versículo é chocante: Até quando vocês, inexperientes, irão contentar-se com a sua inexperiência? Vocês, zombadores, até quando terão prazer na zombaria? E vocês, tolos, até quando desprezarão o conhecimento? (Pv 1.22) Se você não se espantou ao ler isso aqui convido a ler novamente, principalmente a primeira parte: “Até quando vocês, inexperientes, irão contentar-se com a sua inexperiência? Que sério isso!

Ser conformado não é normal. Quando fomos criados, Deus colocou em nós um desejo antes mesmo de nos dar uma ordem. Isso quer dizer que o que Ele quer que façamos, no fundo, nós mesmos desejamos fazer. Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele (Fl 2:13). Depois que colocou em nós um desejo de crescer, deu-nos a ordem: Deus os abençoou, e lhes disse: "Crescei e multiplicai-vos; enchei a terra (Gn 1.28).

Esse nosso desejo de querer sempre mais, essa “insatisfação” é necessária, saudável. O conformismo é antinatural. Por isso a sabedoria, lá no capítulo 1 de Provérbios, pergunta: “Até quando vocês, inexperientes, irão contentar-se com a sua inexperiência?” Essa pergunta nem deveria ser necessária. Todos deveríamos querer saber mais, assim como queremos ganhar mais, ter mais tempo livre. O que há de errado? O que está nos faltando?

Passei algum tempo estudando um comentário do livro de Mateus e fiquei espantada com a forma como Jesus corrigiu os fariseus. Eu nunca havia notado a repetição do mesmo termo que mostro aqui: E quanto à ressurreição dos mortos, vocês não leram o que Deus lhes disse (Mt 22.31); Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ (Mt 19.4) Ele respondeu: "Vocês não leram o que fez Davi quando ele e seus companheiros estavam com fome? (Mt 12.3) Ou vocês não leram na Lei que, no sábado, os sacerdotes no templo profanam esse dia e, contudo, ficam sem culpa? (Mt 12.5). Todas essas declarações foram feitas quando os fariseus questionaram Jesus tentando fazê-lo incriminar-se com suas próprias palavras ou quando queriam que Se explicasse por “profanar” o sábado. Muito sabiamente, Jesus sempre devolvia uma pergunta, repetindo sempre as palavras: “Vocês não leram, vocês não leram, vocês não leram”?

Essa pergunta reafirma a minha responsabilidade e a minha impossibilidade de culpar quem quer que seja quando eu estiver diante de Deus. Ele não vai perguntar: "O pastor não ensinou? Ninguém contou? Não deu nos jornais? Sua mãe não disse isso a você?" A pergunta é: "Você não leu? Esteve tudo sempre tão disponível e você não leu?" 

Pense comigo por um momento. Todos nós temos uma Bíblia em casa, guardada em alguma estante, em cima de algum criado, no celular, no Ipad, no computador. Hoje encontramos exemplares gratuitos em muitos lugares, inclusive em gavetas de hotéis. O que nos impede de ler? Por que não lemos?

Seremos julgados pelos nossos atos, pelas nossas palavras, pelas nossas ações, pelas nossas omissões. Vejam que Jesus não estava esperando dos fariseus nada de mais. Como mestres da lei que eram, o Mestre pergunta exatamente sobre o que deveriam saber, nem mais, nem menos.

Hoje estamos numa posição melhor do que a desses mestres. Não precisamos ir ao templo, procurar pergaminhos. Se eles deveriam saber, muito mais nós. E pode até parecer um fardo ter de saber, mas não é. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são penosos (I Jo 5.3). Pode parecer uma obrigação chata ter de saber, repito, mas é proteção para nós. Deus não quer que pereçamos, que sejamos prejudicados pela falta de conhecimento. Somos penalizados por não sabermos o que deveríamos, ficamos aquém daquilo que poderíamos ser e de onde poderíamos chegar pela falta de conhecimento. O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento (Os 4:6).

Sabe o que o tempo tem me ensinado? Que a maior parte do que fazemos depende de hábito. O prazer vem com o hábito; melhor: o hábito pode levar ao prazer. No começo, ler pode ser uma obrigação. Com o tempo, passa a ser um grande prazer. Digo isso por experiência. Amo ler, mas não foi sempre assim. Podemos desenvolver o hábito de ler, de orar, de louvar... Depois, vira prazer.

Se não desejamos saber mais, se não queremos atender ao convite da sabedoria de deixarmos de ser inexperientes, há algo muito errado. Melhor começar a buscar saber, mesmo sem querer, assim como acontece com o exercício físico. É preciso e pronto, de outra sorte, adeus saúde. É preciso buscar sabedoria e pronto, de outro lado, bem-vindo prejuízo!

Nem imagino o que responderia se Jesus me perguntasse: “Você não leu?”



segunda-feira, abril 01, 2013

Dia Primeiro

Primeiro dia de abril, primeiro capítulo de Provérbios, um hábito. Há tempos tento ler todos os dias o capítulo do dia de Provérbios. Nem sempre consigo, mas, como diz a propaganda: sou brasileira e não desisto nunca.

Podemos ler um milhão de vezes a mesma passagem da Bíblia e veremos que jamais será a “mesma passagem da Bíblia”. Cada vez vem um entendimento novo. Absorvemos aquilo que se coaduna à realidade do momento. E sempre, repito: sempre é um refrigério.

Quero conversar aqui com você um pouquinho sobre esse capítulo e, desde já, abrindo um parêntese no primeiro versículo. O livro do homem mais sábio da época, chamado livro da sabedoria por excelência, começa com um versículo de arrepiar qualquer pai ou mãe: Estes são os provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel. O fato mais importante da vida de Salomão não era ele ser o rei de Israel. Antes disso, ele era “o filho de Davi”. Pense em quão grande era dizer: “Este é o livro do filho de Davi”. Qual é a importância disso? Davi foi o maior de todos os reis que Israel teve. Foi um grande servo de Deus e isso fez dele o detentor de promessas poderosas. Ele foi tão extraordinário que o Senhor prometeu a ele que jamais faltaria alguém da sua descendência no trono se eles continuassem vivendo em obediencia a Deus. Porque assim diz o Senhor: ‘Davi jamais deixará de ter um descendente que se assente no trono de Israel (Jr 33:17). Sem saber, esse rei estava deixando a seus descendentes a maior herança legada por um homem (exclua-se a herança maravilhosa e incomparável que recebemos de Jesus Cristo).

Esse simples versículo me pôs a pensar – e está me fazendo escrever aqui para que você pense comigo. Quantas coisas queremos deixar aos nossos filhos? Quanta importância damos às coisas terrenas, que são temporais, e quão pouca às celestiais, que são eternas e insubstituíveis? Quantas vezes já pensamos que nenhum bem será maior do que uma vida de obediência e de intimidade com Deus? Fecho o parêntese.

O capítulo continua dizendo o motivo da escrita de todo o livro: Eles [os conselhos ali escritos] ajudarão a experimentar a sabedoria e a disciplina; a compreender as palavras que dão entendimento; a viver com disciplina e sensatez, fazendo o que é justo, direito e correto; ajudarão a dar prudência aos inexperientes e conhecimento e bom senso aos jovens. Se o sábio der ouvidos, aumentará seu conhecimento, e quem tem discernimento obterá orientação para compreender provérbios e parábolas, ditados e enigmas dos sábios (Pv 1.2-6). Quem não quer tudo isso? Que não quer ser sábio? Quem não quer ter entendimento? Para começar, é preciso crer que a Bíblia é o que diz ser; faz o que diz fazer; pode o que diz poder. Parece muito simplório, mas a fé é assim mesmo: inexplicável, incompreensível ao homem natural: Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente (I Coríntios 2:14). Só para completar, para que você não chegue a uma compreensão errada, devo dizer que não basta ler. Quando a Bíblia diz ler, quer dizer absorver e praticar, é claro!

Entendido o motivo de o maior de todos os reis escrever o que expôs ali, hora de dizer como começar a ter sabedoria: O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina (1.7). Dois fatos poderosos. De trás para a frente: quem não se preocupa com isso é um insensato, um tolo. E o outro: se o assunto é sabedoria, melhor começar do básico do básico: temer o Senhor.

Quanta coisa se poderia dizer acerca de temer o Senhor! Eu poderia definir esse termo de várias maneiras e já li e ouvi muitas definições, mas decidi que, para mim, a regra é a Bíblia. Quero que ela solucione as minhas dúvidas. Então, como a Bíblia define o que é temer a Deus? Assim: Temer ao Senhor é odiar o mal (Pv 8:13). Temer ao Senhor é odiar tudo o que Deus não faria, tudo o que Deus não aprova, tudo o que fere Seus preceitos, tudo o que não está de acordo com a Sua natureza, que hoje é a mesma de todo filho dEle. Recebemos e compartilhamos de Sua natureza; somos um com Ele. Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele (I Co 6:17).

São passos simples que nos ajudarão a sermos sábios. O primeiro já foi dito: honre ao Senhor, temendo-O. Esse é o princípio do princípio.

Segundo: honre os pais, confie, obedeça, respeite, acredite que estão tentando fazer por você o melhor - Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço (1.7,8). Deus deu aos pais a responsabilidade de educar e, nestes dias que vivemos, quando as pessoas são pais cada vez mais tarde, não se pode dizer que não tenham experiência de sobra para transmitir. Eu sei que nem todos os pais são bons, mas honra e respeito cabem em qualquer lugar. Honrar os pais não é uma opção; é uma ordem. Nada melhor do que ser mãe para entender a própria mãe. Li outro dia no Facebook que quando uma mulher diz: “Minha mãe tinha razão” certamente já tem uma filha que ainda não a compreende. Fato.

Por último (por ora, porque a Bíblia tem muitíssimo mais a dizer a respeito), cuidado com as companhias. Meu filho, se os maus tentarem seduzi-lo, não ceda! (1.10). Em outras palavras: Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau (Pv 13.20).

Poderia continuar porque o capítulo é longo, mas vou parar por aqui. Se eu pensar bem, já está suficiente. Para começar um mês, está para lá de bom.

Feliz 1º de abril, dia de meditar na Verdade!

domingo, março 24, 2013

Pensando alto

Dinheiro, status, fama, poder, glamour, palavras de todos os séculos. Duvido de que elas não se encaixem de alguma maneira na sua vida. Esses dias, meu filho perguntou o que fazer para ser famoso. Não sei porque quer ser famoso, mas quer. E quem não quer? Pode não ser uma fama internacional o que desejamos, mas um pouco de dinheiro, estar acima dos demais, ser mais, ter mais é o desejo de todo homem. Qualquer um que seja verdadeiro há que admitir isso.
 
Estávamos em uma situação desesperadora um dia: "Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne [ímpios], e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo (Ef 2:11-12). É isto aí: não tínhamos esperança".
 
Mas Deus nos resgatou e nos colocou em outro patamar. Como assim? “Aceitei Jesus e não vi absolutamente nada” – talvez seja o que você gostaria de me dizer. Aparentemente nada mudou. Seu emprego continua o mesmo, suas contas continuam as mesmas, seus desejos continuam os mesmos até que você comece a se renovar na palavra. Sabe por que você não está vendo nada? Porque a mudança é interior e o lugar ao qual você agora pertence é invisível. "E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós" (Lc 17:20-21).
 
A nossa mudança de status também foi fenomenal. "Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados" (Cl 1:13-14). Entretanto, tudo isso é invisível. Temos poder, temos novo status, mas ninguém está vendo isso. É espiritual e mais real do que o próprio ar, que também não vemos, mas está por toda parte.
 
Se tivéssemos ideia de quem somos e do poder que temos, ah, como viveríamos melhor! Se soubéssemos como a nossa constituição - a Bíblia - é rica, quantas promessas maravilhosas ela tem, ah, como viveríamos melhor! Estamos presos num pequeno detalhe: "Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus" (Mt 22:29).
 
Quero ajudá-lo a saber de uma coisa que eu aprendi. Os planos de Deus são abrangentes, firmados em princípios, por isso gerais. Assim, a maior parte do que serve para um serve para todos. O que Deus esperava de João Batista, espera de mim. Assim como Ele tinha expectativas em relação a Moisés, Abraão, Daniel, Ezequiel, tem expectativas em relação a mim e a você.
 
Pensemos no assunto: "Surgiu um homem enviado por Deus, chamado João. Ele veio como testemunha, para testificar acerca da luz, a fim de que por meio dele todos os homens cressem. Ele próprio não era a luz, mas veio como testemunha da luz. Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens" (Jo 1:6-9). João veio como testemunha de Jesus, mas ele morreu. E onde estão as testemunhas? Hoje somos nós. "Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eist estemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra" (At 1:8). João foi poderoso. Jesus mesmo disse que entre os nascidos de mulher, até aquela época, ninguém foi maior do que João. Mas, com a descida do Espírito Santo, depois que ele passou a viver dentro de nós e não entre nós, Jesus nos colocou num patamar superior. Nós, que fomos transportados para o reino de Deus, somos maiores: "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele" (Mt 11:11). Hoje, nós, os menores no reino de Deus, somos maiores do que os “grandes heróis da fé”. É isso o que a Bíblia nos diz. Menor no reino, maior do que os antigos.
 
Jesus nos colocou num patamar sobremodo elevado. Ele Se denominava Luz do mundo. “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8:12). Jesus voltou ao céu, mas não deixou o mundo no escuro. Deixou muitas luzes, muitas luzes. Deixou a mim e a você: "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte" (Mt 5:14). Como o mundo precisa de luz! Por isso precisamos andar por muitos lugares. Hoje somos seus representantes. Como Ele, somos a luz.
 
Fico tão impressionada quando começo a pensar no poder que há em mim. Jamais vou me cansar de escrever este texto aqui no blog, pois espero que ele entre em você assim como entrou em mim:  “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo (I João 4:17). Deixe-me enfatizar: “Qual ele é, somos nós também neste mundo". Eu sou como Ele. Você é como Ele. Há muitos “Jesus” por aí. Graças a Deus.
 
Temos uma função importantíssima: manter o mundo conservado. Somos o sal da terra. "Vós sois o sal da terra" (MT 5.13). O sal da sabor, o sal conserva. Não gosto de comida sem sal e menos ainda de pessoa sem sal!
 
Quando Jesus voltou ao Pai não deixou o mundo desguarnecido. Deixou muitos outros para fazer as mesmas obras e muito mais: "Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai" (Jo 14:12).

O mundo precisa de nós? Que tal correspondermos às expectativas de Deus? Que tal gastarmos mais tempo com aquilo que realmente interessa?

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Nada de Covardia

Não há nada tão rico quanto estudar a Palavra de Deus. Nenhum recurso pode proporcionar maior riqueza do que comprar a própria sabedoria – Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento (Pv 23:23). Invista em sabedoria este ano. Compre a verdade da Palavra de Deus. Como? Por todos os meios possíveis. Fale em línguas durante certo tempo todos os dias, ore pedindo sabedoria – E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada (Ti 1:5) –, leia a Bíblia com concentração, leia comentários bíblicos. Só por esses conselhos já fica claro que a sabedoria não é barata, mas, como diz o livro de Provérbios, nada se pode comparar a ela – Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela (Pv 8:11); Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento; pois melhor é o lucro que ela dá do que o lucro da prata, e a sua renda do que o ouro (Pv 3:13-14).

Jesus é a sabedoria de Deus, a expressão exata do Pai. Ele não é como Deus; é o próprio Deus – O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa (Hb 1:3). Se você deseja ver a Deus, olhe para Jesus. Se deseja ver Jesus, olhe para Sua Palavra – Está vestido [Jesus] com um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus (Ap 19:13).

Ler sobre o que Jesus fez me ensina o que fazer; ler o que Jesus disse me ensina o que dizer; ler a Bíblia me revela os pensamentos de Jesus, então, aprendo sobre o que pensar; ler sobre as reações de Jesus me ensina a disciplinar meus próprios sentimentos... Embora toda a Palavra de Deus seja Jesus, este ano estou me debruçando mais sobre os evangelhos. Como isso mudou a minha percepção! Como me tem feito me apaixonar ainda mais por Jesus!

Minha rasa leitura dos evangelhos dava-me a impressão de que Jesus era um pouco grosseiro, duro, inflexível. Um dia disse a Deus que precisava conhecer esse Deus Jesus que é – para mim deveria ser, porque eu não O via assim – amor. Como podia Ele responder aos fariseus como o fazia? Como poderia falar com Maria como fez por duas vezes? Então comprei comentários bíblicos dos evangelhos e entendi tanta coisa! Quantas vezes Ele foi testado, desafiado, descrido, maltratado e com quanta doçura respondeu a tudo isso! Isso vai me amaciando para a vida. Ah, como quero ser como Ele! Aliás, já o sou, mas ainda pela fé: Qual ele é, somos nós também neste mundo (I Jo 4:17).

Quero compartilhar com você algo muito simples que aprendi hoje e que talvez você o saiba faz tempo. O texto é este aqui: Os fariseus ouviram falar que Jesus estava fazendo e batizando mais discípulos do que João, embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos. Quando o Senhor ficou sabendo disso, saiu da Judéia e voltou uma vez mais à Galiléia (Jo 4:1-3).

Estranho esse texto, não é? Ele quer dizer que Jesus saiu do lugar onde estava, deixou um trabalho maravilhoso que fazia, que era batizar pessoas, simplesmente porque soube que os fariseus sabiam que Ele batizava mais pessoas do que João. Precisamos entender o que há por trás desses versículos tão simples.

Jesus sempre soube o que deveria fazer, aonde deveria ir. Ninguém podia demovê-lo de seus propósitos. Certa vez, depois de fazer muitos milagres, retirou-se para orar e seus discípulos ficaram desesperados procurando por ele: E, ao encontrá-lo, disseram: "Todos estão te procurando!” Jesus respondeu: "Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim” (Mc 1:37,38). Quem seria capaz de fazê-lo voltar? Ele já havia decidido aonde ir.

No texto em tela, Jesus parou de batizar quando soube que os fariseus tinham ouvido falar que ele batizava mais do que João. Quero lembrar que batismo é sinal externo de uma purificação interior que já se iniciou. O batismo já existia antes mesmo de João Batista. Era usado na conversão de prosélitos. E quem eram os prosélitos? Eram os gentios que decidiam viver como judeus. Antes de se tornarem praticantes da lei, aceitos na comunidade de Israel, tinham de descer às águas, evidenciando a todos que abriam mão de seus outros deuses, assumiam a responsabilidade de viver como um judeu em toda a extensão do que isso poderia significar, deixavam-se purificar de toda a “imundícia gentia”. Pouco tempo depois, João Batista começa a pregar um batismo não para a formação de prosélitos, mas para os próprios judeus. E eles precisavam ser batizados, precisavam de purificação? E como!

Jesus continua a prática da purificação através de seus discípulos. Ele também começa a purificar o povo, assim como João Batista vinha fazendo. Durante certo tempo, eles têm ministérios “concorrentes”, que não eram mesmo concorrentes porque João já havia dito que Ele era o Cordeiro de Deus, o Messias esperado. João já estava convicto de que ele diminuiria, sua influência seria menor e não estava nem um pouco preocupado com isso: Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua (Jo 3:28-30).

Embora João tenha dito tudo isso a seus discípulos, estes não se conformaram. Queriam saber mais do que o seu mestre. Então começam a ficar entristecidos com o fato de Jesus batizar mais do que João. E os fariseus veem aí uma ótima oportunidade para começar uma confusão. Não criam no batismo de João, não criam no batismo de Jesus, mas a multidão cria. Gerar uma confusão a partir dos próprios melindres dos discípulos enfraqueceria a influência de ambos, daria início a uma disputa que não havia entre os dois, mas poderia deixar feridos. Quando sabe disso, Jesus sai de fininho.

Jesus amava a João, amava seus discípulos, amava as multidões. Então, abre mão de uma obra maravilhosa que estava fazendo. Todos saem perdendo, mas o reino sai ganhando.

Às vezes, isto é preciso na nossa vida: abrir mão de direitos, de coisas lícitas por amor a outros, para evitar confusões, para impedir a fofoca, até mesmo para nós não sofrermos. Se isso foi preciso para Jesus, quanto mais para nós! Ah, que coisa triste quando pessoas tentam nos envolver em conflitos quando esse não é nosso objetivo nem nossa vontade! E Jesus ensina aqui que, melhor do que insistir em ficar, sair de fininho pode ser uma atitude nobre.

O que para muitos pode parecer covardia para o Senhor pode ser nobreza de caráter.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

A Vela

Existe uma escola filosófica chamada dualismo que concebe o mundo sob o prisma dos contrários. Para eles, há dois princípios, duas forças, duas realidades opostas e irreconciliáveis: luz e trevas, certo e errado, bem e mal, Deus e diabo.
Isso leva a pensar que se trata de forças iguais, de mesma intensidade, de mesmo poder, quando a realidade é muito diferente. Pensemos sobre esses opostos. Muitos cristãos ainda consideram necessário lutar contra as forças do mal. Veem Deus como numa guerra interminável contra o diabo, anjos com espadas reluzentes dispostos em fileiras prontos para o contra-ataque. Tudo isso é absurdo. O mesmo Deus que, a partir de Sua Palavra, criou tudo, sustenta todas as coisas – O qual [Jesus], sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder... (Hb 1.3) –, poderia a qualquer momento, pela mesma Palavra, fazer tudo deixar de existir. O diabo não é nem de longe páreo para o infinito poder de Deus. O Deus que tem poder para fazer tem poder para desfazer.

Somos filhos do Deus altíssimo e Ele nos concedeu Seu nome, Seu poder, Sua autoridade, uma grande herança. Veja que texto maravilhoso: E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça sobre graça (Jo 1:16). Todos recebemos da Sua plenitude. E aqui vai mais uma confirmação: Pois [Deus] não dá Deus o Espírito por medida (Jo 3:34). Não recebemos um pouquinho do Espírito Santo, uma pequena partícula do Seu poder. Recebemos da Sua plenitude, todo o Seu ser. Esse poder inimaginável habita inteiro, completo, pleno, total dentro de nós. Por acaso você tinha ideia de quão poderoso é?

Falemos um pouquinho sobre a luz. Pense numa casa que tem todas as suas luzes acesas. De repente, você resolve acender uma vela lá na cozinha. Faz diferença essa luz? Ah, faz. Aquele pequeno pontinho chama a atenção. Todos os que entram no cômodo logo olham para aquele clarão, que nem é tão útil quando há outros focos de luz, contudo não é imperceptível. Mas comece a apagar as luzes e verá que, quanto mais escuro, mais útil aquela vela. Quanto mais aumenta a escuridão, mais útil a luz se torna.

Veja o que Jesus disse a nosso respeito: Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa (Mt 5:14-15).

Aprendemos, não sei como e nem por que, que precisamos lutar contra o mal, estar armados até os dentes para, brandindo a nossa espada, conseguir vencer a guerra. Quem nunca ouviu falar de guerra espiritual? Mandam-nos conhecer o nosso inimigo, estudar sua forma de ação, prepararmo-nos para o confronto como se o adversário estivesse à nossa altura e pudesse nos vencer. De onde saiu isso? Assim como Jesus é, nós o somos neste mundo, é o que diz I Jo 4.17. A Palavra de Deus diz que as trevas não podem contra Jesus, assim como não podem nada – repito: nada – contra nós: E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela (Jo 1:5).

Não há correspondência entre a força das trevas e a força da luz. Na verdade, quanto mais densas as trevas, mais visível o poder da luz. Quando uma luz se acende, destrói completamente toda a escuridão. Infelizmente não é assim que pensamos, não é assim que nos sentimos. Consideramos os inimigos tão poderosos quanto nós mesmos. Quem pode contra Deus? Quem intentará contra Seus propósitos? Você acha mesmo que quando a treva aumenta ao nosso redor, quando a luta se torna mais ferrenha, quando nos sentimos mais espremidos, a nossa luz diminui? A luz da vela diminui quando a luz da casa acaba?

É bem verdade que, muitas vezes, a vela se encontra debaixo da cama. Como diz o texto: Não se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Logo, logo aqueles que estão em trevas notarão a presença da luz, mesmo que debaixo da cama. Então a tirarão de lá e a colocarão no alto do teto, não só para que possa brilhar, mas para revelar quanto de treva ainda existe, para guiar.

Esse exemplo é maravilhoso para que entendamos o poder extraordinário que temos. Qual é a luz que emanamos? A luz de Jesus. E como o fazemos? O texto elucida: Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mt 5.16). A luz resplandece na prática do bem. A palavra de Deus diz que as boas obras não podem ser escondidas. Muitas vezes não conseguimos ver o resultado do bem que temos praticado, mas, assim como a luz é óbvia, as boas obras também o são e serão conhecidas no momento certo.

Talvez você queira me dizer que tem feito muita coisa boa, mas as pessoas ressaltam apenas os seus deslizes. Lembre-se de que a luz é sempre mais forte e o bem sempre vence. Nem todo mal do mundo, nem toda maldade do ser humano pode apagar o valor de uma obra boa que possamos fazer. As trevas não podem prevalecer contra luz, o mal não pode se sobrepor ao bem. O bem sempre vence! A escuridão não consegue se propagar a ponto de ofuscar a luz. Seus deslizes jamais serão maiores do que as pequenas boas coisas que faz. Conforme a intensidade da luz é aumentada, maior o seu alcance. Quanto mais boas obras fizermos, mais visíveis estas serão.

Não devemos nos preocupar com o nosso adversário; não devemos nos preocupar com o aumento da escuridão. A vela só resplandece. Não fique apavorado pensando que não há solução para o mundo. Não tenha uma concepção negativa das coisas. Precisamos olhar tudo sob o prisma correto. O mal não é tão forte quanto parece. A maldade significa apenas ausência de bondade, assim como a treva é a ausência de luz. Acenda a vela e a escuridão se dissipa; pratique boas obras e o mal diminuirá. Conforme vamos aumentando a bondade no mundo, mesmo que seja através de atos bem pequenos, mesmo que pareça que ninguém está vendo, mesmo que pareça que ninguém se importa, essa bondade é tão poderosa que ninguém a poderá ocultar. Por mais que hoje aquele que pratica o bem possa se sentir por baixo, Jesus nos ensinou uma lição maravilhosa quando disse que não se pode esconder uma cidade edificada sobre os montes, que não se coloca uma candeia debaixo da cama, mas no velador, não para si mesma, mas para o benefício de todos. Hoje você pode parecer uma candeia escondida debaixo da cama, mas logo, logo verão que a sua luz está brilhando.

Tranquilize-se. Você não precisa fortalecer seus músculos para dar um golpe fatal no seu adversário. Precisa apenas ficar no seu lugar, manter-se inabalável, iluminando o ambiente. A palavra correta é “resistir” – Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós (Ti 4:7). Fique na sua posição. Ninguém vai poder tirar de você o cinturão de campeão, simplesmente porque não há páreo para você.

Um novo mandamento vos escrevo, o qual é verdadeiro nele e em vós; porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz (1 Jo 2:8).

Deixe a sua luz brilhar. Não se entristeça, não se desespere se você hoje está numa situação desfavorável. Não retribua o mal com o mal, afinal cada um só pode dar o que tem e você tem o Espírito de Deus, é pleno de Seu poder, de Sua bondade. Tenha paciência, seja perseverante, porque no momento certo Deus sua luz vai ser reconhecida. Você é necessário. O mundo precisa de você. Brilhe!