terça-feira, outubro 09, 2012

Deus é Pai!

Dizem que só têm direito às melhores coisas os melhores. Se há uma palavra que move muita gente é esta: melhor. Não sei por que temos que ser excludentes: eu e mais ninguém. Não entendo por que temos que competir. E essa história vem de séculos.

Um dia os discípulos começaram a se preocupar com sua posição no reino de Deus. O que eles queriam saber era como fazer para ser o melhor: "Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: 'Quem é o maior no Reino dos céus?' Chamando uma criança, colocou-a no meio deles,  e disse: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus" (Mt 18:1-3).

A competição não é de hoje. Esse negócio de quem é o maior, quem é o melhor, quem ganha mais é lamentável. O que ganha mais é o melhor? Ser o melhor garante o casamento mais feliz, mais sucesso na família, menos trabalho e mais prazer? Dificilmente. O que faz tudo funcionar na nossa vida não é a nossa posição, mas a nossa parceria com o Espírito Santo de Deus. A menos que não O atrapalhemos, será realizada a vontade boa, perfeita e agradável de Deus para nós.

Enquanto os discípulos perguntavam quem era o maior, Jesus iu com uma resposta impressionante: o reino de Deus não é dos maiores, mas dos que são como as crianças. Que declaração impressionante! Mais uma vez meu coração se enterneceu com a bondade de Deus. O amor dEle por nós é extraordinário mesmo!

Eu ainda não havia entendido o que Jesus queria dizer quando mandou que nos tornássemos como uma criança. Sempre pensei que o principal dessa passagem era que fôssemos perdoadores como as crianças, mas é muito mais do que isso. Esse versículo é libertador: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus" (Mt 18:3).

Falemos sobre as crianças. Crianças dão trabalho, muito trabalho. E não se espera que seja diferente. Precisam ser acompanhadas o tempo todo, vigiadas bem de perto, senão aprontam. Dizem que ter filho é "padecer" no paraíso. Alguns engraçadinhos dizem que é "pra descer" do paraíso. Brincadeiras à parte, é canseira, trabalho braçal até.

Crianças são teimosas. A própria Bíblia afirma isso: "A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele" (Pv 22.15). A curiosidade da criança é maior do que seu desejo de obedecer. Por mais que você diga "não", basta deixar sem vigilância para ela pintar o sete, o oito, o dezoito.

Crianças precisam ser treinadas, porque lhes falta malícia, experiência, sabedoria. Você precisa ensiná-las o tempo todo, com insistência e sem descanso. Mandamos escovar os dentes e precisamos conferir o trabalho. São poucas vezes que não é preciso fazê-las voltar. Têm que ser mandadas constantemente: "Faça isso, faça aquilo. Já fez? Deixe-me conferir". Só acompanhando de pertinho.

Crianças são birrentas, insistentes, choronas, levadas. Sabe por que estou colocando apenas essas características ruins? Para que você se sinta tão livre quanto eu com essa informação. Deus espera de nós muito menos do que imaginamos. Ele sabe que somos teimosos, que vamos dar muito trabalho, que confiar não é tão simples quanto parece e nem tão fácil, que nossos desejos são muito mais fortes do que a vontade de obedecer quase sempre. Ele sabe que somos insistentes em algumas coisas que nem são tão boas, que somos infantis na hora de fazer-Lhe pedidos. Pedimos tantas coisas das quais não precisamos e tantos presentes que, se recebermos, irão nos destruir! Deus sabe que precisamos de um treinamento constante e paciente. O Senhor sabe que precisamos de vigilância todo tempo. Não é maravilhoso saber disso?

Tem muita gente por aí falando de um Deus que não existe: um ser carrancudo, nervoso, pronto a punir, mal-humorado, grosseiro. Deus nunca foi e nunca será assim.  Deus disse: "Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem" (Sl 103.13). Deus é o nosso Pai. E não é qualquer pai. É um Pai amoroso, compassivo, doce, terno, cheio de misericórdia, paciente, cheio de grandes expectativas acerca de Seus filhos. Aleluia! 

Sabe por que Deus tem grandes expectativas a nosso respeito? Porque conhece o nosso potencial, sabe que somos parecidos com Ele. E apesar de Suas expectativas, aceita com paciência nossa infantilidade, que Lhe é até agradável: "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó" (Sl 103:14). Deus é um Pai infinitamente melhor do que nós, que lutamos tanto para sermos bons: "Pois, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem"? (Lc 11:13).

Deus quer que sejamos como crianças: total e completamente dependentes do Pai, tranquilas em relação ao futuro, às próprias necessidades. Crianças confiam na capacidade de seus pais de cuidar delas (estou falando de crianças que têm uma boa família, como Deus planejou). Crianças não passam a noite acordada com medo de não ter leite de manhã. Vivem um dia após o outro e se divertem enquanto a vida passa.

Não aceite o peso das exigências que querem colocar sobre você. Deus é infinitamente melhor do que qualquer pai que você conheça. E está sempre pronto para nos estender a mão, para nos ensinar, nos alimentar, cuidar de nós com muito amor.

Verdadeiramente Deus é Pai.


segunda-feira, outubro 08, 2012

Delícia

Desta vez começo com o texto da meditação:

Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim. Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus. Porém tu, Senhor, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça. Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte. Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou. Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam. Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios. A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção (Sl 3:1-8).

Esse texto falou muito ao meu coração hoje. Ainda estou meditando nele, impressionada com o que Davi diz aqui.

Nas Bíblias em que os capítulos têm títulos e comentários está informado que o Salmo aí de cima foi escrito quando Davi fugia por conta da traição de seu filho Absalão. O palácio foi invadido, ele posto para fora. Se encontrado, seria morto. Muitos do que eram pelo rei agora eram contra ele. Em meio a um tempo deprimente, Davi resolve orar e registrar sua oração.

A dor sempre motivou Davi a buscar a Deus. Não sei como você age nos momentos em que tudo parece dar errado, em que você fica profundamente decepcionado com as pessoas ou até mesmo com Deus por não ver as coisas como esperava. Muitos se afastam, perdem a vontade de orar, de ler Bíblia, de ir à igreja. Mas Davi não era assim. Ele corria para Deus e expunha o seu problema. Às vezes, dizia coisas inimagináveis, mas sua sinceridade foi digna de muitos capítulos da Bíblia. Os Salmos que escreveu são um incentivo para nós. Revelam que podemos abrir o coração para Deus, dizer o que vier à mente, pois aquEle que nos sonda sabe o que há dentro de nós e nos ouve com amor e com paciência. Mesmo que digamos coisas que não Lhe agradam, Ele é misericordioso, compassivo e perdoador e não nos trata segundo as nossas iniquidades, mas segundo a multidão, repito: multidão das suas misericórdias. Deus é bom!!! 

A primeira declaração de Davi neste Salmo é para informar ao Senhor que o número dos contrários havia aumentado muito. Ele tinha noção do que estava enfrentando, estava atento aos fatos. Não mascarou, não se iludiu. Ele apresentou ao Senhor uma realidade incontestável: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários”! E mais. Ele sabia o que as pessoas estavam dizendo dele: "Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus".

É horrível a sensação de ter sido usado pelas pessoas. Davi era rei, havia feito o bem àquele povo que agora estava contra ele, liderou muitas batalhas, arriscando sua própria vida, mas as pessoas haviam se esquecido de tudo isso. O que diziam é que para ele já era.

Talvez digam o mesmo de você, talvez inventem coisas, talvez não se importem com quem você foi ou com o bem que fez. Mas isso não justifica a autocomiseração, que não ajuda em nada. Não podemos parar a caminhada por conta do que as pessoas dizem de nós. É preciso continuar, mesmo contra tudo e contra todos, contra a própria realidade dos fatos.

Depois de informar ao Senhor, Davi diz ao Senhor o que pensava: “Porém tu, Senhor, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça”. Em outras palavras: “Todos estão dizendo que para mim não tem jeito, mas eu sei que quem decide mesmo é o Senhor. E sei que Tu és o meu escudo”. Davi estava dizendo que embora todos estivessem contra ele, no fim, a decisão vem de Deus e ele sabia que o Senhor era o seu escudo.

Essa é a parte mais interessante do texto. Podemos saber o que muitos dizem contra nós, podemos saber os prognósticos, podemos saber que a situação não está fácil para ninguém, mas o que importa mesmo é o que Deus diz a nosso respeito. E o que Ele diz? “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31). “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8:33). “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Rm 8:35). “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor (Rm 8.38,39). “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8:37).

Não posso dizer que o que as pessoas dizem não nos afeta, porque seria uma grande mentira. Afeta sim, entristece, sim, quando pensam mal de nós. Mas importa mesmo é o que Deus diz. E por que nem sempre conseguimos nos animar com o que Deus diz? Porque não sabemos, não lemos ou não nos lembramos do que Ele diz. Por isso é tão importante a disciplina espiritual. Hoje acordei meio triste, mas quando abri minha Bíblia nesse texto, fui consolada, lavada, renovada. Meu dia cinza ficou pra lá de colorido.

Nem sempre a situação vai mudar, nem sempre a opinião dos outros vai mudar, nem sempre nossas próprias expectativas vão mudar. Pode continuar tudo igual, mas quando a Palavra vem e nos renova, algo no nosso interior muda e é o suficiente.

Embora nada tivesse mudado, os inimigos continuassem a caminho, as pessoas continuassem falando de Davi, olhe só o que ele fez: “Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte. Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou”. Davi clamou, deitou e dormiu. Só ele mesmo para dormir com esse barulho? Não. Se aprendermos com ele, conseguiremos fazer o mesmo. Aliás, para que você acha que o texto foi escrito? Para o nosso ensino, para que aprendamos a fazer o mesmo.

E continua. Davi ora novamente, não para expor sua lamúria, mas para reafirmar a sua fé. “Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam”. Quero parafrasear novamente. É como se ele dissesse: “Senhor, o número de inimigos continua aumentando, e já estão preparados para o confronto, mas eu não temo”. Que lindo, não é? A situação não mudou, aliás, parece pior, mas não ando por elas: “Porque andamos por fé, e não por vista” (II Co 5:7). E aí Davi apresenta ao Senhor a jurisprudência: o que o Senhor fez no passado, pode fazer novamente: “Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios”.

O Salmo termina magistralmente. Davi mostra a que veio, por que era um homem tãõ especial: resolve abençoar e não amaldiçoar. Que lindo! Davi não pede a condenação dos inimigos, que estavam entre o povo, mas a bênção de Deus: “A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção”.

Tenho certeza de que não preciso continuar porque você já entendeu tudo! Jamais lerei o Salmo 3 da mesma maneira. Delícia de Bíblia!!! 



quinta-feira, outubro 04, 2012

O que fazer

A Bíblia tem histórias simplesmente extraordinárias. Gente entra, gente sai de suas páginas tão rápido! Só parando para meditar, para pensar com carinho sobre cada nome, cada história ali. Durante o tempo em que a Bíblia foi escrita, quantos milhões de pessoas não passaram pela terra? É muita gente, não é mesmo? Atualmente somos mais de 190 milhões de brasileiros e, no mundo, mais de 7 bilhões de pessoas.

Por que certas pessoas estão citadas na Bíblia é algo que me move a ler e reler. Risco, rabisco, marco minha Bíblia. Quero entender. Já sei que cada uma daquelas pessoas ali tem algo a me ensinar. Umas ensinam o que fazer e outras o que não fazer. Cresci depois que entendi isso. O importante é aprender com cada um e não julgar. De toda forma, estão me ensinando. E as mesmas pessoas podem me ensinar o que fazer em uma área e o que não fazer em outra. O ideal, então, é ser mais observadora, analisar mais, falar menos. Dizem que os inteligentes aprendem com a própria experiência, os sábios aprendem com a dos outros. Não preciso sofrer o que outros já sofreram para aprender se eu for sábia. Basta comparar atos e resultados.

O personagem de hoje é José, o marido de Maria, mãe de Jesus. Já escrevi sobre ele aqui no blog, mas permita-me fazê-lo novamente!

A história de José começa com ele de casamento marcado, com grandes expectativas de receber sua esposa. E a gente sabe muito bem o que esse “receber” abrange. Lembro-me de que, alguns meses antes do meu casamento, eu havia iniciado uma contagem regressiva. Sempre que via o Ricardo dizia: faltam duzentos dias, faltam cem dias, faltam noventa dias... Eu e ele sabíamos exatamente quanto tempo faltava sempre. Será que com José foi diferente? Será que sua espera foi mais ou menos dolorosa que a minha?

Enquanto esperava, a vida seguia devagar até que algo surreal aconteceu: Maria estava grávida. Aí começa o livro de Mateus a mostrar a grandeza desse homem que mereceu um cargo de tanta confiança: “pai” do Salvador. Ele pôde ver como era Deus bebê, Deus menino, Deus adolescente – aos doze anos, Jesus foi procurado por José e Maria quando estava no templo –e nem sei o que mais viu, porque a Bíblia não diz quando morreu.

Apesar de saber que sua futura esposa estava grávida e não era dele, resolveu deixá-la secretamente para que não falassem dela. “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente (Mt 1.18,19). Preste atenção na palavra que está escrita aí: infamar. Não é difamar, que significa falar mal. Mas infamar, assim definido no Aurélio: “atribuir infâmia, perda de boa fama, dano social ou legal feito à reputação de alguém”. Ele poderia até considerar merecida a nova fama, mas preferiu ficar calado.

Por muito menos, casais que se separam botam a boca no trombone. Outro dia li na Internet uma famosa atriz dizer que seu marido, com quem esteve casada por mais de quinze anos, nunca foi um bom marido. Como assim? Será possível uma coisa dessas? Foram os momentos ruins tão mais significantes assim que os bons? Vale a pena se concentrar no negativo? Quantas pessoas não têm prazer em serem as primeiras a saber de um escândalo: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” (Mt 18.7)

José resolveu não ser portador de más notícias. Calou-se num momento crucial. Ah, como ele tem coisas a me ensinar! Como preciso aprender a me calar em momentos de decepção. O normal no mundo é “botar a boca no trombone”. E o que quer dizer isso mesmo? É contar isso o mais alto e para o maior número de pessoas possível. É espalhar a notícia. E como as pessoas gostam de ouvir notícias assim! “As palavras do mexeriqueiro são como doces bocados; elas descem ao íntimo do ventre” (Pv 18.18).

Não parou por aí. José conseguiu dormir com esse barulho e sonhou: “E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; e dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.20,21).

Vamos pensar a respeito de novo. Muitas vezes vêm pensamentos à nossa mente, e são coisas muito boas, diga-se de passagem, e ficamos a nos perguntar: será que veio de Deus ou será da minha cabeça? Não foi assim que José agiu. Ele apenas acreditou. “E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus (Mt 1:24,25). Logo que despertou, José obedeceu.

Aqui quero abrir um parêntese para celebrar a gentileza de Deus. José não titubeou, não discutiu, não pediu provas; obedeceu. Gideão titubeou, discutiu, pediu provas por três vezes; obedeceu. E Deus não fala quem é mais ou menos santo, se José ou Gideão. Aceitou os dois. Tomé ainda fez um pouco pior: “Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei” (Jo 20.25). Deus não faz acepção de pessoas. Age com doçura tanto para com um quanto para com o outro. Quantas vezes Gideão pediu provas, foram as vezes que Deus confirmou Sua palavra e a Tomé deixou que pusesse a mão do seu lado e seus dedos nos furos de suas mãos. Como Ele é lindo, como Ele é doce! Então, “não importa” se você crê ou não. Ele está sempre disposto a fazer o que for necessário para que não nos afastemos dos Seus planos para nós, que são o melhor.

E o final dessa história toda é que José esperou Maria ser mãe para ter sua noite de núpcias. Fico sem palavras ao pensar nisso. Quanta grandeza!

Certamente se essa história ocorresse hoje o nome que lhe caberia seria dos piores. Um homem “traído” pela esposa, “fraco” por não expô-la, “mané” por não contar pra ninguém, vexame total.

Realmente nossos valores precisam mudar muito para aceitarmos o que tem valor para Deus e para compreendermos que o que para nós é perda, para Deus é ganho, que com Deus quem parece estar perdendo está mesmo é no lucro!

José, você merece mesmo um lugarzinho na Bíblia. Com você aprendo o que fazer.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Pessoas são presentes

O dia começou tumultuado. A Juju esqueceu um trabalho da escola em casa, precisava entregar hoje e eu moro longe de onde ela estuda e muito longe de onde trabalho – do lado oposto ao da escola. Eu tinha duas opções: simplesmente ignorar sua necessidade e seguir o meu caminho, já que eu também tenho minhas obrigações, ou parar tudo e socorrer alguém muito necessitada.

Normalmente eu sempre socorro, mas vou reclamando e isso acaba com o meu dia. Fico brava, dirijo no desespero e deixo um “detalhe” acabar com o meu dia. Mas não hoje. Algo mudou em mim desde que li o livro Encantadores de Vidas. Nada como ver a grandeza dos outros para enxergar a pequenez de nós mesmos.

Estou começando a olhar as pessoas sob outro prisma. Pessoas são lindas, pessoas são bênção, pessoas são resposta, pessoas são o que há de mais precioso neste mundo. E eu sou tão especial que Deus me confiou três para cuidar. É acreditar muito em mim mesmo me dar pessoas!

Deus olhou para o homem e disse: "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda" (Gn 2:18). Não sei se Adão estava deprimido, desanimado, se ele já tinha descoberto que precisava de uma companhia. Quem disse que não é bom estar só foi Deus e não Adão. E deu a ele um presente: uma mulher.

Ter cônjuge é um presente. Estar casado é mágico. Ontem mesmo disse ao meu marido que uma das coisas de que mais gosto no casamento é de ter alguém para dividir a cama. Não me importo se a televisão está ligada, se a luz está acesa, mas me importo muito com a cama vazia.

As pessoas têm-se isolado cada vez mais. Temos a falsa impressão de sermos populares, possuirmos muitos amigos por causa da Internet, mas, na verdade, aqui na frente do nosso computador, estamos sós. É preciso desligá-lo, sair, conversar cara a cara com os amigos, cultivar relacionamentos. Pessoas são canais de cura. “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro” (Pv 27:17). Como é que o ferro afia o ferro? Com o atrito. Mas sabe o que acontece depois que está afiado? Fica melhor. Como é fácil cortar com uma faca afiada e como é trabalhoso com uma sem corte! Em outras palavras, as pessoas são capazes de nos tornar cada vez melhores, mesmo que o façam no atrito.

Deus deu a Abraão muitas coisas. Ele era riquíssimo. Foram tantos os bens que amealhou que ficou impossível conviver com seu sobrinho Ló, a quem Deus também abençoou grandemente. Mas era grande a sua sensação de vazio. Faltava-lhe o complemento ideal: uma pessoa, um filho.

Ah, os filhos são o mel na nossa boca. Os meus me fazem ficar muito brava alguns momentos, mas passa logo. Na maioria das vezes, me fazem rir, me fazem babar, me tornam mais terna. Hoje mesmo abracei e beijei os dois logo de manhã. Que delícia! Eles são o melhor trabalho do mundo.

Ninguém é bom ou mau por si mesmo. As pessoas agem conosco como agimos com elas. Gentileza gera gentileza. Aridez gera aridez. “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Pv 15.1). Se você considera seus filhos um problema, assim eles se tornarão. Mas experimente mostrar a eles como são queridos, amados, desejados e veja o que acontece. Tenho certeza de que ficará surpreso. Suas emoções afetam os outros e até mesmo a sua saúde. Não posso deixar de escrever aqui o que estou aprendendo com o Nuno Cobra no livro que estou lendo:”Você tem de se convencer de que a emoção é a rainha da vida. O seu estado emocional influi diretamente no funcionamento do organismo, mostrando a enorme importância de “direcionar” as emoções para viver em equilíbrio (...). Então uma coisa puxa outra: bem-estar provoca mais bem-estar e mal-estar aumenta o mal-estar”.

Sinceramente, não era sobre nada disso que pretendia escrever, mas não vou deletar o que já escrevi aqui. Talvez alguém precise ler isto para acertar o rumo da família ou o rumo da própria vida. E antes de terminar quero contar uma experiência muitíssimo dolorosa de um pai.

Certo homem muitíssimo rico tinha um filho extraordinário, uma pessoa realmente superior a todas as demais. Ele era lindo, amável, educado, sensível, perdoador, amoroso. Vivia em plena harmonia com seu pai. Era tudo o que um pai pode querer.

Um dia, esse filho se apaixonou por alguém. Como todos os pais, o que se podia esperar é que a escolhida estivesse à altura do pretendende. Se assim fosse, ela teria que ser realmente muito especial. Mas isso não era verdade. O filho a amava muito, muito, sem medida. Não lhe exigia nada, jamais era ríspido, jamais se irritava com ela, mesmo diante de suas malcriações, nunca devolveu mal por mal. Mas ela não era digna desse amor.

Enquanto esse filho preparava seu casamento, a eleita abusava dele com outros amantes. E não era um só; eram vários. Era grosseira frequentemente. Deixou sempre muito claro que queria o que ele tinha a oferecer e não a ele próprio. Mas isso não importava. Jamais se deixou influenciar por suas más ações. Ele era forte de caráter, seguro, estável. Ela não era capaz de mudá-lo para pior, mas também não lhe permitia mudá-la para melhor.

E o pai? Bom, se fôssemos nós, certamente daríamos um jeito de impedir essa união. Falaríamos tudo o que soubéssemos, colocaríamos diante de ambos todos os impedimentos possíveis. Mas seu pai resolveu apaixonar-se junto. Ele entendia que a vida para ela tinha sido dura, que a única coisa capaz de mudá-la seria o amor, que ninguém mais além de seu filho desejaria resgatá-la. Assim ele incentivou seu filho a amá-la profunda e intensamente, a ponto de morrer por ela se necessário fosse. E foi. O Pai chorou, o Filho sofreu e Nós continuamos com a opção de aceitar ou não esse amor, corresponder ou não a ele.

Deus poderia olhar para nós, Seus filhos, e dizer: “melhor exterminá-los, eles não têm jeito” – quantos não disseram algo parecido sobre seus filhos, seus sogros, seu cônjuge, alguém da família! Mas fez diferente: “meu amor vai ser suficiente para ajudá-los a serem melhores para si mesmos e para os outros e não vou obrigá-los a aceitar-me; venha quem quiser”.

Somos um presente para Deus. Ele nos vê como a coroa da criação, como filhos amados. “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Sl 116.15) porque é a hora em que temos a oportunidade de estar onde Ele está.

O amor só é amor quando dá aos outros a possibilidade da escolha, quando não obriga, não se impõe, não força a barra, não sufoca, não cobra... Quem ama perdoa, quem ama deixa ir, quem ama liberta, quem ama não faz exigências, quem ama ama. Quem ama vive melhor! O amor é a essência de Deus, o amor é a essência da vida. E o alvo do amor sempre são as pessoas, mereçam ou não.

Quem semeia amor mais cedo ou mais tarde vai colher, afinal, como disse Pero Vaz de Caminha: “Em se plantando, tudo dá”...



segunda-feira, outubro 01, 2012

Absolvido

Minha vida de mãe não tem sido nada fácil. E também não posso dizer que, quando filha, as coisas eram mais simples. Não fui uma adolescente das mais complicadas, mas gente é gente – dizendo isso acho que nem preciso esmiuçar o assunto.

Sou uma admiradora do grande Rei Davi, homem sensível, humano, educado. Mas tenho de admitir o inegável fato de que ele foi um péssimo pai. Talvez você deseje perguntar, como já o fiz: como pode um pai fracassado ser chamado de um homem segundo o coração de Deus? Não são os resultados que interessam? Não se conhece a árvore pelos frutos? Aceito o desafio de pensar sobre o assunto.

Entre a ação, a intenção e o resultado há muito mais do que podemos imaginar. Há uma lei que afirma que a toda ação corresponde uma reação proporcional no sentido contrário. Isso pode ser ótimo na física, mas, nas relações humanas, não é assim tão lógico. Quem nunca disse uma coisa e obteve um resultado tão diverso do que esperava que chegou a se arrepender de ter aberto a boca? Quem nunca ficou calado e depois recebeu a pecha de ter concordado com algo sobre o qual nem se manifestou?

No reino espiritual o resultado não é tudo. Aliás, nem sempre o resultado interessa. Veja só este texto: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade (Mt 7.21-23).

Veja só como as coisas não são tão simples quanto parecem: o texto fala que as obras daqueles homens eram espetaculares - profetizavam, expulsavam demônios, faziam maravilhas -, mas eles não se fizeram conhecidos por Deus por meio delas. Na resposta de Jesus, o que eles praticavam mesmo era a iniquidade. Como pode isso? Só há uma justificativa: a intenção é o que vale na verdade. Jesus até afirmou que adultério não é apenas o ato, mas até mesmo a intenção: “Ouvistes que foi dito: não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela" (Mt 5.27,28). Por aqui fica muito claro que, enquanto as pessoas consideravam o ato em si, Deus considera o coração. Com as palavras do texto: a intenção.

Bom, este post aqui não é para fazê-lo sentir-se acusado. Ao contrário. Para ver quão impressionante foi a obra de Cristo que culminou na nossa absolvição. 

Embora façamos o mal, há dentro de nós, recriados, renascidos, filhos de Deus, um desejo muito grande de acertar. Todos nós – pais, amigos, líderes, cidadãos, irmãos em Cristo – queremos fazer o bem, desejamos ajudar as pessoas, até oramos para sermos uma bênção por onde quer que formos. Mas na caminhada erramos muito, magoamos pessoas, desconsideramos favores, perdemos oportunidades de fazer o bem, às vezes, até sem ver. Quantas vezes passei – e ainda passo – pelas pessoas sem cumprimentar! Muitas vezes estou olhando, mas não estou vendo. Minha mente está tão absorta em tantos assuntos que nem sei de fato por onde ando. 

Veja este texto: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Rm 7:18). Citei o capítulo 7 de Romanos aqui, mas não posso deixar de dizer que é um texto bastante problemático. As pessoas param em um versículo para justificar atitudes erradas – aliás, neste versículo aqui: “Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico” (Rm 7:19) –, entretanto, não estão considerando o texto na sua totalidade. O que o apóstolo quer dizer em todo o contexto do capítulo é que há em todos nós uma luta entre carne e espírito, mas ele encerra dizendo que não somos mais escravos da carne. Quem nasceu de novo não está mais preso à lei da morte, aos desejos da carne, mas à lei do Espírito da vida. Graças a Deus por isso! "Porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte" (Rm 8:2).

Esse Espírito da vida ao qual estamos sujeitos é o mesmo Conselheiro, Consolador, Espírito Santo que o Pai nos enviou. Ele sonda os nossos coraçōes e nos conhece, sabe exatamente quais são as nossas intençōes, sabe exatamente a vontade que temos de acertar, mesmo não conseguindo isso sempre. Voltando ao texto de Romanos aí de cima, "o bem que eu quero fazer", é correta a afirmação que queremos fazer o bem.

O mesmo Deus que considerou Davi um homem segundo o seu coração hoje nos considera Seus filhos amados: "Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados" (Ef 5:1). Ainda que os resultados que tenhamos obtido em muitas áreas da nossa vida sejam insatisfatórios, Ele sabe como queremos fazer a coisa certa e leva isso em consideração. Então não se condene e nem permita que outros o façam; não aceite acusaçōes - "Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8:1). 

Liberte-se da culpa e concentre-se na oportunidade que Deus concede ainda hoje de fazer a coisa certa. E lembre-se de que, ainda que o nosso coração nos acuse, Deus é maior do que o nosso coração e está sempre disposto a nos absolver. "Pois, se o nosso coração nos condena, sabemos que Deus é maior do que o nosso coração e conhece tudo" (I Jo 3:20).

Fique tranquilo: Deus é por você!